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Prosperidade para quem? Direção da Caixa precisa explicar seu atual modelo de gestão

Durante a apresentação do novo modelo de gestão da Caixa aos empregados e empregadas nesta semana, a expressão “Prosperidade do Cidadão” apareceu entre os princípios apresentados. O que ela significa, quais valores a orientam e que decisões pretende orientar? qual o projeto que é apresentado ao cidadão? Prosperidade para quem? Medida de que maneira? E construída com qual papel para a Caixa, seus empregados e a sociedade?

Durante a campanha presidencial de 2026, Flávio Bolsonaro chamou a Caixa de “Banco da Prosperidade” em sua proposta de governo. Daniella Marques, ex-presidente do banco e coordenadora do plano econômico da campanha, também apresentou a instituição como possível “motor de prosperidade”. São formulações de um projeto político específico, que precisam ser examinadas em seu contexto.

A semelhança entre os termos torna legítimo o questionamento: há alguma relação entre as propostas? Como a direção define a expressão usada na lâmina? E de que forma o modelo de gestão se conecta às políticas públicas e às prioridades do governo federal eleito?

A Caixa não pode ser reduzida a palavras de efeito. Sua função pública exige que o debate sobre prosperidade passe por moradia, crédito responsável, atendimento digno, inclusão e desenvolvimento — e também pelas condições de trabalho de quem atende a população todos os dias.

Não basta prometer oportunidades individuais se o projeto não disser como enfrenta desigualdades, amplia direitos e garante acesso efetivo às políticas públicas pelo conjunto da população brasileira que espera políticas públicas que respondam suas necessidades. O banco será fortalecido como instrumento de justiça social ou a gestão pretende substituir compromissos concretos por um discurso de coaching? A direção precisa responder com transparência, não apenas com uma apresentação de conceitos.

Para que essa discussão não fique no terreno das palavras, a direção da Caixa precisa tornar público o modelo completo, informar quando e como ele foi aprovado e explicar quais valores, objetivos e indicadores dão conteúdo à “Prosperidade do Cidadão”. Também é necessário esclarecer como essas diretrizes se relacionam com as políticas públicas do governo federal e se há alguma conexão com propostas apresentadas na campanha presidencial pelo candidato derrotado.

Um projeto para o banco público deve ser construído com diálogo efetivo com as entidades representativas e transparência para toda a sociedade.

A direção pode e deve esclarecer essas questões.Banco público não é slogan: é compromisso com o povo.