CAIXA, um bem público na vida das pessoas.

O Brasil tem dois projetos para as empresas públicas — e um deles quer entregá-las

Enquanto as estatais batem lucro recorde e voltam a investir, o grupo que assessora Flávio Bolsonaro promete um “revogaço” inspirado em Milei. Explicamos o que está em jogo.

Em julho de 2026, o Ministério da Gestão e da Inovação divulgou um número que deveria estar em toda conversa sobre o futuro do país: as estatais federais lucraram R$ 169,4 bilhões em 2025, um salto de 45% sobre o ano anterior, e passaram a somar mais de R$ 1 trilhão em patrimônio. Não é um detalhe de balanço. É a prova concreta de que empresa pública bem administrada devolve para o povo — em investimento, em crédito, em serviço.

O caminho até aqui tem nome. Ao assumir, o governo Lula retirou os Correios, a Petrobras e outras estatais da fila de privatização e recolocou o Estado como sócio do desenvolvimento, não como vendedor de patrimônio. A Caixa voltou a ser tratada como aquilo que sempre foi na vida das pessoas: o banco do FGTS, do Bolsa Família, do financiamento da casa própria — e não um balcão de negócios a caminho da bolsa de valores.

Do outro lado, o projeto também é explícito — e vale conhecê-lo em detalhe. A economista Daniella Marques, que presidiu a Caixa no governo Bolsonaro, hoje coordena o plano econômico de Flávio Bolsonaro. Ela já anunciou um “revogaço” logo no início de um eventual governo, inspirado, em suas próprias palavras, “nas reformas que Milei fez” na Argentina. A campanha chegou a levantar publicamente a possibilidade de privatizar o Banco do Brasil. Sobre a Caixa, a coordenadora nega que exista plano de venda — mas defende a mesma agenda de cortes que, na Argentina, empurrou milhões de pessoas para baixo da linha da pobreza.

Para quem trabalha e para quem depende do banco, a diferença não é abstrata

Aqui não se trata de siglas nem de disputa entre “mais ou menos Estado”. Trata-se do caixa que atende a fila do benefício, do gerente que libera o crédito habitacional, da lotérica do interior, do trabalhador que confia seu FGTS a uma instituição que é dele. Quando uma estatal dá lucro, esse lucro tem para onde voltar: saneamento, habitação, o próprio investimento que gera emprego. Quando ela é vendida ou esvaziada, o lucro passa a ter dono — e o dono deixa de ser o povo.

O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa e o Comite das Empresas Públicas não defende esse patrimônio por nostalgia. Defende porque ele está dando certo, com números auditados e reconhecidos por órgãos oficiais. A escolha de 2026 não é entre teorias econômicas: é entre um projeto que fez as estatais voltarem a lucrar e investir, e um projeto que promete desmontá-las em nome de uma receita importada que já fracassou onde foi aplicada.

Por isso, o convite é para agir agora. Leve esse dado para a sua mesa de trabalho, para o seu grupo de WhatsApp, para a sua base. E faça a quem defende a venda das estatais uma pergunta simples: se as empresas públicas somam R$ 169 bilhões de lucro e mais de R$ 1 trilhão de patrimônio, para quem exatamente vai esse patrimônio quando ele for privatizado? Cobre transparência, exija o debate — e compartilhe.

Empresa pública que dá lucro não é peso: é herança. E herança do povo não se vende.