Ao longo de setembro de 2026, três disputas concretas expuseram os dois projetos de país que se enfrentam no Brasil. Em todas elas, o governo do presidente Lula ficou ao lado da maioria da população. E, em todas elas, a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ficou do lado oposto.
A primeira é o fim da escala 6×1. A PEC que assegura dois dias de descanso semanal ao trabalhador já passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou em 3 de setembro que a votação em plenário só ocorrerá depois das eleições — resultado da obstrução da oposição. O adiamento contraria a vontade popular: 69% dos brasileiros apoiam o fim da 6×1, segundo pesquisa Quaest. Mesmo assim, Flávio Bolsonaro interrompeu a própria campanha presidencial, em 1º de setembro, para articular contra a proposta. A alternativa que ele defende, formulada pelo coordenador de campanha Rogério Marinho (PL-RN), fala em “liberdade de escolha” — a mesma retórica que, na prática, deixa o trabalhador e a trabalhadora sem descanso garantido.
A segunda é o enfrentamento às bets — e o que era compromisso virou decisão de governo. Em 25 de setembro, Lula anunciou e assinou uma medida provisória que proíbe as apostas online no Brasil, incluindo bets esportivas e cassinos virtuais como o “jogo do tigrinho”. Com a medida, novos depósitos foram interrompidos, os apostadores poderão resgatar saldos remanescentes até 5 de outubro e sites e aplicativos deverão sair do ar a partir de 6 de outubro. O governo também anunciou um projeto de lei para criminalizar a exploração, a operação e a divulgação de apostas online. Enquanto Lula tomou a decisão de proibir o setor para enfrentar o endividamento e a ludopatia, Flávio Bolsonaro criticou a medida e defendeu a manutenção das bets esportivas. Não é um tema distante do Comitê: foi a defesa do caráter público e social da Caixa que impediu o banco do povo de ser transformado em mais um balcão de apostas.
A terceira é o reajuste do Bolsa Família. Lula concedeu um aumento de 15% no benefício, que alcança mais de 19 milhões de famílias. A oposição correu à Justiça: Renan Santos, candidato do Partido Missão, pediu ao Tribunal Superior Eleitoral a suspensão do reajuste, alegando ser medida “eleitoreira”, e Flávio Bolsonaro classificou a decisão como “ato de desespero”. Em 19 de setembro, o Supremo Tribunal Federal, em decisão do ministro Gilmar Mendes, considerou o reajuste constitucional. Ficou o retrato: para a direita, todo direito garantido ao povo é “eleitoralismo” — mas o lucro dos grandes oligopólios econômicos nunca é chamado assim.
Três episódios, um mesmo padrão. No fim da escala 6×1, a proposta avançou na CCJ do Senado, mas a oposição obstruiu e empurrou a votação em plenário para depois das eleições. Nas bets, Lula assinou a proibição total das apostas online enquanto Flávio Bolsonaro defendeu manter as apostas esportivas. No Bolsa Família, o governo garantiu reajuste de 15%, com valor mínimo de R $691 e médio de R$ 777, e o STF reconheceu a legalidade da medida. É o mesmo projeto que defende a Caixa como banco 100% público e social e as empresas públicas como patrimônio do povo brasileiro.
Entre quem defende dois dias de folga, protege as famílias das bets e reajusta o Bolsa Família — e quem obstrui, relativiza ou chama direitos de “eleitoralismo” — não há empate. Há um lado. E ele está escrito em cada decisão.