CAIXA, um bem público na vida das pessoas.

Trump, drones e eleições: o que isso tem a ver com seu futuro

Soberania não é detalhe. Democracia não é concessão. E o Brasil não pode aceitar que potência estrangeira trate nosso território, nossas eleições e nossas riquezas como extensão de seus interesses

Nos últimos dias, duas notícias acenderam um alerta. De um lado, os Estados Unidos começaram a enviar drones militares MQ-9 Reaper para a América do Sul, equipamentos de vigilância e ataque apresentados como parte de uma ofensiva contra cartéis de drogas. De outro, a Abin alertou governo, TSE e Ministério da Justiça sobre risco crítico de interferência externa dos EUA nas eleições brasileiras de 2026. Não são fatos isolados. Eles fazem parte de uma mesma disputa: quem decide o futuro do Brasil?

O que está por trás da pressão

Reportagem do G1 informa que os drones enviados pelos EUA são do modelo MQ-9 Reaper, usados em missões de vigilância e ataque, e que a movimentação se conecta ao plano de Washington de ampliar sua atuação no chamado Hemisfério Ocidental. A mesma reportagem registra que os EUA redirecionaram US$ 52 milhões em ajuda militar para países alinhados a Trump na América Latina.

Já a Folha revelou que relatório reservado da Abin aponta uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e afirma que documentos estratégicos do governo norte-americano miram reduzir a influência de potências rivais na América Latina e controlar, direta ou indiretamente, ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestrutura da região.

Ou seja: o debate não é apenas sobre segurança. É sobre soberania. Quando um país estrangeiro movimenta aparato militar, pressiona governos, impõe sanções, disputa ativos estratégicos e tenta influenciar eleições, o que está em jogo é a capacidade de o Brasil decidir sobre seu próprio destino.

A narrativa do medo serve a um projeto

Mas a história do Brasil mostra o contrário, coragem e resistência. Quem protege o povo em momentos de crise são as empresas públicas, as instituições públicas, o Estado democrático e as políticas de desenvolvimento. Elas garantem crédito, infraestrutura, tecnologia, energia, comunicação, proteção social e presença pública aonde o mercado não chega.

Por isso, defender as empresas e instituições públicas não é uma pauta corporativa. É defender uma ideia de Brasil: um país que não aceita ser reduzido a fornecedor de riquezas naturais, mercado consumidor ou território de influência militar e que dialoga com o mundo, mas não ajoelhado.

Diante desse cenário, o Comitê Popular em Defesa das Empresas Públicas afirma que o Brasil não pode aceitar tutela estrangeira sobre seu processo eleitoral. A soberania nacional deve estar acima de qualquer pressão externa, porque ativos estratégicos, riquezas naturais, empresas públicas, bancos públicos, infraestrutura e instituições estratégicas pertencem ao povo brasileiro — não a interesses estrangeiros, fundos privados ou projetos eleitorais subordinados.

A democracia precisa ser defendida contra interferências, chantagens e narrativas de medo. Sempre que o Brasil perde soberania, as empresas públicas entram na mira. Sempre que o Estado é enfraquecido, o povo trabalhador paga a conta. Por isso, o caminho agora é disputar a narrativa com coragem: explicar, compartilhar, conversar nos locais de trabalho, nas famílias e nas comunidades. O medo não pode ser maior que a verdade.

O Brasil está sendo pressionado porque voltou a ter projeto, voz própria e papel no mundo. E é justamente por isso que precisa ser defendido.