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Afastar a cúpula da PF às vésperas da eleição: o Comitê alerta para uma perigosa tática de caos institucional

Ontem (8), o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso do Banco Master, determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada. A decisão foi tomada a partir de um pedido do partido Novo, legenda de oposição, e Mendonça alegou ter sido alvo de monitoramento ilegal pela PF em agosto. A Segunda Turma do STF formou maioria para manter o afastamento.

É preciso separar o fato da leitura — e o Comitê faz isso com clareza. O fato é o afastamento da cúpula da Polícia Federal, em plena investigação do Master, a partir da provocação de um partido de oposição. Esse movimento não nasce no vácuo. Ele se encaixa num padrão que a extrema direita brasileira conhece bem e do qual se alimenta — a fabricação de crises institucionais para paralisar apurações, intimidar quem investiga e sequestrar a agenda pública às vésperas de uma eleição.

Quem vive do caos precisa do caos. E enfraquecer o comando da Polícia Federal — justamente a instituição que apurou o caso Master, por iniciativa do governo Lula e os esquemas que respingam sobre bancos e sobre o dinheiro público — no ano em que o país vai às urnas não é coincidência que se explique sozinha. Também soa no mínimo estranho o afastamento do diretor Leandro Almada, que foi o responsável por apurar o assassinato da vereadora Marielle Franco.

Para o Comitê, há aqui o risco concreto de um precedente gravíssimo: transformar decisões judiciais em instrumento para desidratar as instituições que incomodam, abrindo caminho para que a máquina do Estado seja curvada em favor de um projeto de poder — o mesmo projeto que orbita o bolsonarismo e o Centrão.

O mais preocupante é que um lance como esse raramente está sozinho no tabuleiro. Ele pode ser apenas uma peça de uma engrenagem maior, com atores que ainda não apareceram, cujo objetivo é sempre o mesmo: instalar instabilidade no momento mais sensível do calendário democrático para influenciar, na marra, o resultado de 2026. Não se trata de disputa legítima de ideias — trata-se de mexer nas regras do jogo enquanto a bola rola. E isso tem consequências que ultrapassam esta eleição: mina a confiança nas instituições e cobra um preço da institucionalidade brasileira pelos próximos anos.

Esse tema diz respeito direto a quem defende a Caixa. O caso Master, que está no centro dessa crise, se conecta ao que o Comitê denuncia há tempos: a captura de instituições públicas — bancos, órgãos de controle, a própria polícia — pela lógica de grupos privados e de projetos de poder. Defender a Caixa como banco público é defender que as instituições sirvam ao povo, e não a quem quer usá-las como escudo ou como arma. Não há banco público forte em uma democracia fragilizada.

O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa reafirma: quem defende a Caixa defende as instituições, e quem defende as instituições defende a democracia. Não vamos assistir calados enquanto tentam transformar o caos em estratégia. Seguiremos vigilantes.