A negociação coletiva dos bancários avançou após meses de mobilização, pressão e atuação das entidades representativas.
A categoria conseguiu arrancar recomposição salarial, aumento real e impedir retrocessos que os bancos tentaram impor na mesa. Isso precisa ser reconhecido: nada veio de graça. Cada avanço é resultado da organização dos trabalhadores e trabalhadoras.
Mas, no caso da Caixa, há um ponto que vem tensionando a reta final: o Saúde Caixa.
As entidades alertam para um risco concreto: como o Saúde Caixa integra o mesmo instrumento das demais matérias do ACT, uma eventual rejeição da proposta pode comprometer também pontos em que já existe maior convergência.
Por isso, defendem retirar as cláusulas do Saúde Caixa do atual ACT, preservar as demais cláusulas negociadas, estabelecer novo prazo para o plano e criar um GT específico para buscar uma proposta melhor.
O ponto é simples: não se trata de abandonar a negociação coletiva. Trata-se de assegurar tempo e condições para aperfeiçoar a proposta, preservar os avanços já construídos no ACT e continuar negociando uma solução responsável para o plano.
Soa estranho que, depois de meses de alertas e discussões, a direção da Caixa deixe esse tema ganhar esse peso justamente agora, perto do fechamento da campanha coletiva.
Se o banco já sabia que havia problema, por que deixar essa discussão chegar a este ponto na reta final?
Ao misturar o Saúde Caixa com a negociação geral, a Caixa cria uma percepção perigosa: a de que os empregados podem “perder” ao apoiar os avanços conquistados. Isso confunde a base, aumenta o descontentamento e desloca o foco do que realmente importa.
O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa se soma às entidades representativas dos empregados: negociação é o melhor caminho, mas o Saúde Caixa precisa de prazo próprio, debate aprofundado e grupo de trabalho específico.
Com dados claros, transparência, participação efetiva dos representantes dos empregados e respeito a quem sustenta a missão pública da Caixa todos os dias.
Negociar é o caminho. E o Saúde Caixa exige tratamento específico.