CAIXA, um bem público na vida das pessoas.

Ilustração de uma máquina de desinformação conectada a uma rede de perfis, com a logo do Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa

A indústria do ódio tem dono, método e caixa-preta financeira

Reportagens publicadas pelo Intercept Brasil e pela revista Piauí desmontam uma fábula conveniente: a de que as milícias digitais bolsonaristas seriam apenas um movimento espontâneo de apoiadores indignados. O que aparece é outra coisa: uma operação organizada, com briefing semanal, rede de influenciadores, vantagens econômicas e uma caixa-preta financeira em torno do projeto político de Jair Bolsonaro.

No centro da engrenagem digital está a plataforma “Direita Já”, registrada no Tribunal Superior Eleitoral como site oficial de campanha e capitaneada por Flávio Bolsonaro. Segundo o Intercept, a estrutura articula mais de 200 influenciadores, com alcance somado estimado em 50 milhões de pessoas, entregando pautas prontas, conteúdo exclusivo e “suporte direto da equipe de produção”. Não é debate público orgânico. É terceirização da desinformação, com comando político e recompensa pela amplificação.

A revista Piauí revelou outra dimensão da mesma engrenagem: o dinheiro que circula nos bastidores do projeto Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, um relatório do Coaf mostra que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviou ao fundo americano Havengate Development Fund mais uma parcela de 1,6 milhão de dólares em setembro de 2025 — depois de Flávio Bolsonaro ter dito publicamente que o último pagamento havia ocorrido em maio. Com isso, o total conhecido teria passado de 10,6 milhões para 12,3 milhões de dólares, mais de 65 milhões de reais na cotação da época.

A Piauí aponta ainda indícios de um novo repasse em outubro de 2025. Em mensagens obtidas pela revista, o publicitário Thiago Miranda perguntou a Vorcaro se seria possível “liberar as parcelas do filme”, sob risco de “parar tudo por lá”. A resposta foi direta: “Liberei mais uma hoje”. Se confirmado, o total desembolsado chegaria a 14 milhões de dólares, cerca de 72 milhões de reais.

O que isso tem a ver com a defesa da Caixa? Tudo. A mesma máquina que fabrica pânico sobre a economia para atingir Lula também atua para desmoralizar instituições públicas, bancos públicos e políticas sociais. Quando a mentira vira negócio, ela corrói a confiança da sociedade na democracia e nas estruturas que chegam à vida concreta do povo — do FGTS ao Bolsa Família, do crédito habitacional ao Pé-de-Meia.

Há ainda um agravante jurídico e político: uma advogada eleitoral ouvida pela Intercept afirma que, quando o influenciador passa a lucrar, o conteúdo deixa de ser apoio orgânico. Somado aos repasses revelados pela Piauí no caso Dark Horse, o desenho é conhecido: usar estrutura, dinheiro e influência para fabricar consenso — e depois chamar de “orgânico” o que foi impulsionado por interesse político e econômico.

O Comitê acompanha esse movimento porque entende que a batalha de 2026 também será travada no terreno onde a mentira é industrializada, financiada e vendida. Denunciar quem financia o ódio é defender instituições públicas fortes, informação honesta e o direito dos trabalhadores e trabalhadoras de não serem enganados por quem lucra com o medo.

Contra a fábrica de mentiras, a nossa arma é a verdade organizada. E a verdade tem lado: o do povo que construiu a Caixa, defende os bancos públicos e não vai entregar o Brasil a quem faz da destruição um negócio.