Na noite de ontem, 6 de agosto de 2026, o restaurante Tia Zélia, em Brasília, foi palco de um evento que vale registrar: o lançamento do livro Um por Todos, Todos por Lula, do jornalista e escritor Haroldo Ceravolo Sereza, publicado pela Fundação Perseu Abramo.
Entre os presentes, integrantes do Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa — uma presença que não é por acaso. Em 7 de abril de 2018, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi preso em uma das mais contestadas decisões judiciais da história recente do Brasil. O que se seguiu foi uma das maiores mobilizações cívicas do país: a Campanha Lula Livre.
De norte a sul, comitês se espalharam pelo Brasil — mais de 300 comitês locais e ao menos 20 espalhados pelo mundo. Sem presidente, sem hierarquia, mas com organização e compromisso. O Comitê Internacional de Solidariedade em Defesa de Lula e a Democracia no Brasil foi lançado em 15 de março de 2018, durante o Fórum Social Mundial, em Salvador.
A campanha mobilizou movimentos populares, sindicatos, partidos políticos, lideranças indígenas, do movimento negro, da comunidade LGBTQIA+, jornalistas e militantes de base. Era uma luta pela liberdade de um líder, mas era — acima de tudo — uma luta pela democracia brasileira.
Em novembro de 2019, Lula foi solto. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro. Lula estava livre e elegível. Em 2022, voltou à Presidência da República.
Um livro que preserva essa memória
Um por Todos, Todos por Lula reconstrói os bastidores, os personagens e as estratégias que transformaram a Campanha Lula Livre em uma das mais expressivas mobilizações da história política recente do país. O jornalista Haroldo Ceravolo Sereza reúne entrevistas, relatos e documentos, além de um caderno fotográfico que resgata a dimensão humana dessa luta.
O lançamento em Brasília, no Restaurante Tia Zélia, reuniu lideranças e militantes progressistas que foram parte ativa dessa história — ou que continuam a escrevê-la.
Não é coincidência que integrantes do Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa estiveram no evento. Nossa organização é herdeira direta da Nova Primavera de 2019 — movimento que, no espírito dos comitês Lula Livre, estimulou a criação de comitês populares em defesa de instituições públicas estratégicas, como a Caixa.
O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa nasceu da mesma matriz: uma organização popular e democrática, formada por empregados(as), aposentados(as) e cidadãs(ãos) que reconhecem a importância dos sindicatos, das entidades de classe e da mobilização coletiva.
Assim como os comitês Lula Livre não tinham presidente nem hierarquia — mas tinham organização, responsabilidade coletiva e clareza de propósito —, o Comitê Popular de Defesa da Caixa opera com a mesma lógica: cada voz importa, cada ação conta. Defender a Caixa é defender a mesma bandeira que estava nas ruas em 2018 e 2019: a bandeira da democracia, do Estado a serviço do povo e da soberania nacional.