O Brasil vive um momento que vai além das eleições. A disputa de 2026 não se decide apenas nas urnas — ela já está sendo travada nos bastidores do sistema financeiro, nas salas de reunião de grandes corporações e nas pressões que chegam de dentro e de fora do país sobre os rumos dos bancos públicos brasileiros. Nesse cenário, a Caixa voltou ao centro da disputa — não como coadjuvante, mas como protagonista de um projeto nacional de desenvolvimento.
E quem sustenta essa missão, no dia a dia, são os empregados e empregadas da Caixa. Não são apenas executores de rotinas administrativas. São formadores de opinião, lideranças locais, pessoas que conhecem a ponta, organizam equipes e ajudam a transformar política pública em entrega concreta para a população**.** O empregado da Caixa ainda é uma referência respeitada em milhares de cidades brasileiras — muitas vezes a única presença concreta do Estado, do crédito, da habitação, da inclusão financeira e da solução para a vida das pessoas.
Esse respeito não nasceu do nada. Ele foi construído ao longo de gerações, por homens e mulheres que fizeram da Caixa uma instituição com mais de 160 anos de história, capilaridade nacional e compromisso social sem paralelo no sistema financeiro brasileiro. É um legado que pertence ao povo — e que não pode ser reduzido à lógica estreita do mercado financeiro.
O Pix é um exemplo eloquente do que o Brasil é capaz quando investe em soluções próprias, de base pública. Uma inovação brasileira que democratizou pagamentos, reduziu custos, ampliou a inclusão financeira e colocou o Brasil na vanguarda mundial dos sistemas de pagamento instantâneo. O reconhecimento veio até de onde menos se esperava: Paul Krugman, vencedor do Nobel de Economia de 2008, publicou artigo no dia 20 de julho de 2026 elogiando o Pix e alertando que “Trump tentará punir o Brasil por esse sucesso” — uma resposta direta à ameaça de tarifas norte-americanas de 25% sobre produtos brasileiros. O economista Paulo Kliass, em entrevista à Rádio Brasil de Fato, explicou o porquê: “O Pix é brasileiro, ele é democrático, ele é universal e ele é gratuito. Por isso pisa no calo dos grandes conglomerados norte-americanos que mexem com cartão de crédito.” Quando um Nobel de Economia de perfil liberal reconhece o Pix como avanço civilizatório e alerta para a pressão dos EUA, fica evidente que o que está em jogo não é uma simples escolha técnica. É uma disputa sobre quem decide os rumos do desenvolvimento brasileiro — e sobre se o Brasil terá coragem de defender o que é seu.
O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa tem acompanhado, com atenção, movimentações que apontam para tentativas de reocupação de espaços dentro da instituição por agentes ligados à direita. Não estamos falando de algo abstrato. No passado recente, a Caixa foi instrumentalizada para fins eleitoreiros, utilizada como balcão de negócios de grupos políticos e submetida a uma gestão que deixou marcas profundas: um rombo financeiro, um dano moral à imagem institucional e, sobretudo, uma ferida aberta na autoestima, na saúde mental e na dignidade dos empregados e empregadas que seguiram de pé, entregando serviços à população mesmo em meio ao caos. Esse capítulo não pode ser esquecido — e não pode se repetir.
Os padrões que queremos ver distantes, no entanto, continuam rondando a Caixa. Há quem defenda a criação de subsidiárias para fatiar a instituição, quem tenha articulado a criação de um banco digital para ser vendido ao setor privado, quem proponha abrir o capital da Caixa como se fosse um negócio qualquer — e não o principal instrumento de inclusão financeira e política habitacional do Brasil. São projetos que, sob a aparência de “modernização” e “eficiência”, carregam um único objetivo real: transformar a Caixa em instrumento de grupos econômicos e políticos privados, esvaziando sua missão pública e entregando ao mercado o que pertence ao povo.
É contra esse projeto — ontem, hoje e sempre — que o Comitê se levanta.
Contra esse projeto, nossa posição é clara: a Caixa não é um banco qualquer. É patrimônio público, instrumento de desenvolvimento, habitação, crédito, inclusão bancária e políticas sociais. É a instituição que chega onde o mercado não chega — e que representa, para milhões de brasileiros e brasileiras, a presença concreta do Estado.
O que defendemos vai além da Caixa como instituição financeira. Fortalecer a Caixa pública é fortalecer a soberania nacional. Assim como o Brasil precisa defender suas tecnologias financeiras e seus meios de pagamento, também precisa defender seus bancos públicos como instrumentos de desenvolvimento, redução de desigualdades e reconstrução social. E são os empregados e empregadas da Caixa — formadores de opinião, presentes nos territórios, conhecedores das necessidades reais do povo brasileiro — os guardiões cotidianos desse legado.
O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa reafirma: a defesa da Caixa pública, de sua missão social e de quem a faz acontecer no dia a dia é também a defesa do Brasil. Em 2026, esse compromisso é inegociável.
A Caixa é patrimônio do povo brasileiro. Defendê-la é defender o Brasil.