Em 4 de abril de 2021, nascia o Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa — herdeiro direto da Nova Primavera de 2019, movimento que estimulou a criação de comitês populares em todo o país como uma proposta dos movimentos sociais para a participação direta dos trabalhadores e trabalhadoras na defesa das instituições públicas. Cinco anos depois, ele segue de pé — mais forte, mais articulado e mais necessário do que nunca. Não por acaso. Mas porque a Caixa Econômica Federal continua sendo um campo de disputa real, e porque há quem se recuse a deixar esse banco ser capturado por interesses que não são os do povo brasileiro.
O Comitê é uma organização popular e democrática, formada por empregados (as), aposentados (as) e cidadãos (ãs) que reconhecem a importância dos sindicatos e das entidades representativas nessa luta. Desde o primeiro dia, buscamos construir uma defesa consistente da Caixa — do ponto de vista técnico e institucional — sobre o que significa defender o banco de verdade.
Ao longo desses cinco anos, o Comitê esteve presente nos momentos mais decisivos da disputa pela Caixa. Cada posicionamento foi uma escolha deliberada de não se calar. Defendemos intransigentemente o papel social da Caixa diante de pressões por privatização e fragmentação — e alertamos para a transferência de operações para subsidiárias, como a Caixa Loterias.
Em 2022, realizamos o Seminário pelo Futuro da Caixa, apresentando ao presidente Lula e ao campo progressista propostas concretas para um banco mais forte, mais social e mais comprometido com o povo brasileiro. Foi um marco de maturidade do Comitê — de organização que denuncia para organização que propõe.
Há ainda uma ferida aberta que o Comitê se recusa a deixar cicatrizar. O assédio moral e sexual na Caixa completa também cinco anos de denúncias — e cinco anos de impunidade. Uma chaga que se aprofundou durante a gestão bolsonarista de Pedro Guimarães, que além dos crimes contra as trabalhadoras (es), trouxe inúmeros prejuízos ao banco: o uso político do auxílio emergencial e do microcrédito em ano de eleição são marcas indeléveis desse período. Não vamos nos calar. Em 2026, denunciaremos novamente, com ainda mais força.
Em cinco anos, crescemos de uma iniciativa embrionária para uma plataforma com quase 14.000 seguidores, todos orgânicos. Esse reconhecimento não é vaidade. É prova de que a narrativa da Caixa pública encontra eco real entre quem trabalha, defende e acredita no banco.
O ano de 2026 é eleitoral, e o que está em jogo não é apenas quem ocupa o governo — é o modelo de país, o papel do Estado e o futuro dos bancos públicos. Nos posicionamos firmemente contra a operação Caixa-BRB — quando a base respondeu com clareza: 98% contrários. Denunciamos a rede de captura que articula grupos políticos e interesses privados, como evidenciado no caso Banco Master. Acompanhamos também com atenção o debate sobre o impacto das apostas esportivas sobre o endividamento das famílias e a integridade do sistema financeiro — tema que atravessa o cotidiano dos trabalhadores. E sempre fomos solidários aos empregados retaliados por defender o banco — nunca culpabilizamos a base.
O avanço do fascismo não é retórica. É um projeto real de desmantelamento das instituições públicas. Derrotar esse projeto é condição para que a Caixa continue sendo o que é: um banco social a serviço do Brasil. O Comitê entra nesse ano com agenda clara — ampliar sua presença, fortalecer alianças progressistas e defender a democracia, porque sem ela não há Caixa pública, não há direitos, não há futuro.
Cinco anos não são uma chegada. São uma renovação de compromisso. Chegamos até aqui porque houve pessoas dispostas a se posicionar quando era mais fácil se calar. Que venham os próximos cinco anos!