Uma reportagem da jornalista Daniela Lima, colunista do UOL (22/04/2026), revelou os resultados de uma auditoria do TCU sobre as tratativas entre o BRB (Banco Regional de Brasília) e a Caixa. O que o documento mostra: o BRB foi incapaz de entregar os documentos básicos exigidos para avançar na negociação de eventual cessão de carteiras de crédito ligadas ao banco Master. A análise técnica foi encerrada por omissão do próprio BRB. Mas o ponto mais sensível não é o fracasso da negociação — é quem estava interessado em fazê-la acontecer.
O Governo Federal foi direto: não haverá uso político da Caixa nessa operação e a Controladoria Geral da União (CGU) já está conduzindo uma auditoria na Caixa Asset. Foi na gestão Lula que o Banco Central agiu liquidando o Master a a Policia Federal desvendou os crimes que estão vindo à tona.
Essa compreensão é relevante porque separa o governo Lula dos grupos que tentaram viabilizar o negócio. O Comitê reconhece e defende essa postura — banco público não pode ser instrumento de grupos que colocam pessoas estrategicamente em duas instituições para fazer operações do próprio interesse.
O nó político
Conforme apurado por Daniela Lima, os mesmos grupos políticos que controlam o BRB — PP, União Brasil, figuras como Ciro Nogueira e Arthur Lira, artífices da gestão bolsonarista de Ibaneis Rocha (MDB-DF) no banco do DF — também indicaram pessoas para a direção da Caixa. A suspeita que o Senado agora vai apurar é justamente se houve pressão política sobre a própria gestão da Caixa para que a negociação avançasse — uma “venda casada” entre instituições controladas pelos mesmos grupos.
O TCU auditou, documentou mais de 100 anexos hoje sob sigilo e encaminhou tudo à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, presidida por Renan Calheiros (MDB-AL). Ficou comprovado: a Caixa exigiu documentos, o BRB não os entregou. O TCU agiu e agora o Senado investiga quem queria que essa operação acontecesse. Os trabalhadores e trabalhadoras da Caixa não têm responsabilidade sobre as articulações e operações controversas de grupos que ocupam cargos estratégicos nas duas instituições. Conhecer os fatos é a primeira linha de defesa: nenhum passo para trás.