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Ex-gerentes que barraram operação com o Banco Master processam a Caixa

A crise envolvendo o Banco Master, liquidado pelo Banco Central e alvo de operação da Polícia Federal, segue revelando desdobramentos importantes para a Caixa. Entre eles, o processo movido por dois ex-gerentes da Caixa Asset que, em 2024, impediram uma operação de R$ 500 milhões com o Master após detectarem riscos graves e inconsistências nos números da instituição — riscos que hoje se confirmam.

Segundo O Globo, os técnicos Daniel Cunha Gracio e Maurício Vendruscolo emitiram parecer recomendando que a Caixa não realizasse a operação, descrevendo o Master como um banco com falta de clareza e efetividade nos números, alto risco de solvência e modelo de negócios de difícil compreensão. O alerta estava correto: o Master caiu, seu dono foi preso e fraudes vieram à tona.

Ainda assim, os dois perderam seus cargos logo após barrar o negócio e agora processam a Caixa, alegando retaliação. Ou seja, os empregados foram punidos pela atual gestão justamente por defender o banco. A auditoria do TCU reforça essa suspeita ao apontar indícios de que as exonerações comprometeram a governança da Caixa Asset e não afastam a tese de que foram motivadas por pressão relacionada à tentativa de aprovar a operação com o Master.

O processo trabalhista movido pelos ex-gerentes não é apenas uma demanda individual — ele tem potencial de gerar impacto financeiro no banco, caso a Justiça reconheça que houve retaliação injustificada. Além disso, a derrota judicial reforçaria uma crise reputacional, pois confirmaria que profissionais altamente qualificados foram punidos por defender o interesse público e proteger a Caixa de um escândalo que agora se tornou nacional.

Assim, dirigentes que retaliaram devem ser responsabilizados — inclusive com ação de regresso. Se houver condenação financeira contra a Caixa, é fundamental que os custos não recaiam sobre o banco público, mas sim sobre aqueles que tomaram decisões contrárias à governança e ao interesse da instituição. Com o desmoronamento do Master e a prisão de seu proprietário, fica claro que esses empregados evitaram uma exposição gravíssima da Caixa a um esquema que hoje é tratado como caso de polícia. Eles preservaram bilhões de reais, protegeram a imagem da instituição e cumpriram com rigor suas funções técnicas.

O Comitê reafirma sua solidariedade aos empregados injustiçados e seguirá acompanhando o caso. A defesa da Caixa — de sua missão pública, de sua integridade e de seus trabalhadores — é permanente.