A operação deflagrada hoje pela Polícia Federal, que prendeu o dono do Banco Master, e a decisão do Banco Central de liquidar extrajudicialmente a instituição, confirmam de forma categórica as suspeitas que se acumulavam há tempos sobre o banco. O conjunto de informações revelado hoje mostra que o Master praticava fraudes estruturadas, manipulações contábeis, tentativas de fuga e operações artificiais, além de manter uma extensa malha de relações políticas com setores da direita brasileira.
Segundo a investigação, o proprietário do Master tentou simular a venda da instituição para uma empresa fictícia como forma de deixar o país, num movimento que simboliza a opacidade e a falta de governança que sempre marcaram a instituição. Outras reportagens revelam que o banco maquiou uma carteira falsa de consignado para atrair negócios — inclusive na tentativa de venda ao BRB, que acabou travada após intervenção do próprio Banco Central.
Mas talvez o ponto mais revelador seja a teia política que sustentava o Master. As matérias divulgadas hoje apontam relações do banco e de seu dono com figuras centrais do Centrão e da direita brasileira:
- Ciro Nogueira, um dos principais articuladores políticos da extrema direita no país;
- operadores da Faria Lima envolvidos em estruturas paralelas de crédito;
- aliados do governador Cláudio Castro (RJ) — cujo governo investiu, por meio de fundo previdenciário estadual, cerca de R$ 1 bilhão no Master, mesmo quando o banco já dava sinais de crise;
- operadores ligados ao governador Ibaneis Rocha (DF), também próximos dos negócios do grupo.
Esses vínculos ajudam a explicar como o Master cresceu e se manteve artificialmente relevante, mesmo com indícios claros de fragilidade financeira, inconsistência contábil e risco sistêmico. Esse quadro, que agora se torna público, confirma também alertas antigos feitos por empregados com função técnica. Em 2024, a área de renda fixa da Caixa Asset produziu um parecer técnico detalhado afirmando que o Master não apresentava clareza, efetividade ou consistência em seus números, além de operar com alto risco de solvência. O documento recomendava que a Caixa não se envolvesse em um negócio de compra de letras financeiras do banc no valor de R$ 500 milhões, o que agora mostra-se absolutamente correto.
Foi justamente após assinarem esse parecer que técnicos da Caixa foram descomissionados pela gestão da Caixa, num movimento interpretado internamente como represália e tentativa de silenciamento. Posteriormente, a CGU abriu auditoria sobre o caso, ainda em andamento, e o TCU multou o ex-diretor do banco que insistiu na operação, ignorando os alertas dos profissionais que hoje se confirmam.
A operação da PF e a liquidação do Master deixam claro:
– não era excesso de cautela, as suspeitas eram sólidas;
– não era mera disputa técnica, havia fraude, manipulação e risco real;
– havia, de fato, uma estrutura de poder envolvendo agentes políticos da direita que usavam o sistema financeiro para seus interesses.
Se não tivesse havido resistência técnica dentro do Estado, bancos públicos — especialmente a Caixa — poderiam ter sido usados para lastrear uma instituição que hoje se revela baseada em operações irregulares e alianças político financeiras perigosas. Hoje, a verdade se impôs. E ela confirma o que já se sabia: as suspeitas sobre o Banco Master eram graves, profundas e totalmente verdadeiras — e envolviam uma rede política que agora começa a cair.
O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa reafirma:
- a Caixa deve permanecer blindado contra interesses privados e redes político-partidárias;
- os empregados retaliados por fazerem o correto devem ter sua situação revista;
- a CGU deve aprofundar as apurações, agora confirmadas pela realidade;
- e o país precisa fortalecer seus mecanismos de controle para impedir que recursos públicos sirvam a projetos privados sustentados por operadores da direita e do Centrão.