O Comitê saúda a decisão do presidente Lula de convocar a direção da Caixa para discutir o plano do banco de lançar um sistema próprio de apostas esportivas — a chamada “bet da Caixa”. A iniciativa do governo é um gesto firme e coerente com a política de reconstrução nacional e com o esforço de proteger o papel social do banco público.
A proposta de criação de uma “bet estatal” está em total dissonância com o projeto que o governo Lula vem defendendo para o país. Enquanto o governo busca taxar os super-ricos e o mercado de apostas para coibir abusos e evasão de receitas, a Caixa — instituição símbolo das políticas sociais — não pode se alinhar aos interesses de um setor que tem gerado inúmeros escândalos e impactos negativos na vida de milhões de brasileiros, inclusive entre beneficiários de programas sociais que vêm sendo vítimas do vício em jogos online.
A imprensa nacional, como destacaram InfoMoney e UOL, noticiou que o presidente Lula demonstrou desconforto com a decisão da direção do banco e pediu explicações sobre o projeto. O Comitê considera esse posicionamento do governo essencial para evitar que o banco público seja utilizado em contradição com sua missão histórica.
Desde o início, o Comitê vem alertando para a crescente influência do Centrão sobre setores estratégicos da Caixa e para as tentativas de capturar os grandes recursos gerados pelas apostas e pelas subsidiárias do banco. A transferência das operações de loterias para a Caixa Loterias S.A. — que até hoje não mostrou a que veio — e a criação de estruturas paralelas, como a subsidiária de cartões, vêm enfraquecendo a missão pública da instituição sem entregar os resultados prometidos em agilidade e inovação.
O Comitê reafirma que é preciso fortalecer a Caixa 100% pública e social, focada no financiamento habitacional, na infraestrutura, nas políticas de inclusão e no desenvolvimento regional. A tentativa de transformar o banco em operador de apostas não só fere sua identidade como também coloca em risco sua credibilidade.
Mais do que nunca, é fundamental que o governo mantenha vigilância sobre os rumos da Caixa e impeça que interesses alheios à sua função pública prevaleçam. O povo brasileiro precisa de um banco forte, ético e comprometido com o Brasil — e não de uma “bet estatal”.