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Cinismo politico: Ciro Nogueira ataca o governo, defende os super ricos, mas mantém aliado com salário de R$ 40 mil na presidência da Caixa

O cinismo político chegou a um novo patamar. O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro de Bolsonaro e um dos principais articuladores do Centrão, segue disparando ataques ao presidente Lula e ao governo federal — ao mesmo tempo em que mantém um aliado ocupando um dos cargos mais privilegiados da Caixa.

De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo publicada essa semana, o publicitário José Trabulo Júnior, ex-coordenador da campanha de Jair Bolsonaro em 2022 e homem de confiança de Ciro Nogueira, atua desde setembro de 2024 como consultor da Presidência da Caixa, com salário que chega a R$ 40 mil mensais, além de benefícios equivalentes aos dos empregados do banco, como PLR, plano de saúde e bônus por desempenho.

O cargo, de livre nomeação, foi mantido em sigilo e só veio a público após determinação da Controladoria-Geral da União (CGU), que obrigou a Caixa a divulgar a lista de assessores da presidência via Lei de Acesso à Informação. A revelação expõe mais uma vez a instrumentalização política do banco público por figuras que fazem oposição declarada ao governo, mas continuam se beneficiando de suas estruturas e recursos.

Enquanto cobra a saída do PP do governo, Ciro Nogueira mantém o controle de cargos estratégicos na Caixa, reproduzindo a lógica de aparelhamento que também envolve o presidente da Câmara, Arthur Lira, responsável por emplacar nomes de sua confiança na presidência a nas subsidiárias da instituição, como revelou a Folha em setembro. A contradição e o escárnio são evidentes: os mesmos políticos que sabotam pautas de interesse popular e votam projetos de blindagem e anistia para corruptos e golpistas continuam ocupando espaços dentro de empresas públicas, transformando-as em moedas de troca para fins eleitorais e pessoais.

Para o Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa, esse é mais um alerta: o banco público, que deveria ser instrumento de desenvolvimento e inclusão, está sendo sequestrado por interesses privados e partidários. E o resultado disso é visível — menos entregas ao povo e mais privilégios aos aliados do Centrão. A Caixa não pode continuar refém desse jogo político. Sua missão é servir ao Brasil, não aos gabinetes de Arthur Lira, Ciro Nogueira e seus aliados. Cabe aos empregados, à sociedade e aos movimentos populares resistirem a essa captura e reafirmarem o caráter público, social e estratégico do maior banco do país