A Caixa divulgou, hoje (18), o balanço do primeiro semestre de 2025, com um lucro líquido recorrente de R$ 8,9 bilhões, o que representa um crescimento de 44,9% em relação ao mesmo período de 2024. O resultado, à primeira vista, reforça a posição da Caixa como um dos maiores bancos do país e reflete a força da instituição e sua capilaridade no sistema financeiro nacional.
O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa reconhece o resultado positivo, mas lembra que parte significativa desse desempenho ainda é reflexo de operações pontuais ocorridas no trimestre anterior — como a venda de participação na Caixa Seguridade, que por si só gerou mais de R$ 800 milhões em receitas e ajudou a compor o lucro do semestre. Não se trata, portanto, apenas de ganho operacional, mas também de uma estratégia contábil que precisa ser avaliada com cautela.
Uma análise mais atenta levanta questionamentos se o desempenho segue ancorado em fatores pontuais, e não em melhorias estruturais da operação do banco, bem como reforça a necessidade de atenção redobrada por parte da sociedade e dos trabalhadores e trabalhadoras. O segundo trimestre (2T25) manteve uma tendência preocupante observada no trimestre anterior: a inadimplência aumentou para 2,66%.
Ao mesmo tempo a provisão para perdas associadas ao risco de crédito alcançou o valor de R$ 3,5 bilhões no 2T25, redução de 19,9% em relação ao 2T24 e de 39,9% quando comparadas ao 1S24. Isso significa que expressiva parte do lucro foi garantida o por uma menor proteção contra calotes, num momento em que a carteira de crédito apresenta risco crescente. Também houve queda na cobertura da inadimplência, que passou de 195,3% para 163,8% em 12 meses — um colchão de proteção menor para tempos incertos. Esse movimento contábil levanta dúvidas quanto à capacidade do banco de lidar com riscos crescentes no crédito.
Outro ponto que chama atenção é a queda de arrecadação das Loterias da Caixa, que recuaram 6% em relação ao mesmo período do ano passado, além da redução nas contratações de crédito imobiliário, que caíram 5,6%. Esses números reforçam o alerta que o Comitê vem fazendo: a migração de áreas estratégicas para subsidiárias como CAIXA Loterias e CAIXA Cartões não trouxe melhoria nos resultados. Pelo contrário, essas áreas apresentam queda de desempenho, o que reforça a necessidade de reavaliar o modelo de governança e gestão dessas unidades.
Mesmo assim, é preciso destacar o que de fato sustenta a Caixa: o esforço diário de seus empregados e empregadas, que mesmo diante de sobrecarga, escassez de pessoal, fechamento de agências e ambiente de trabalho desafiador, seguem entregando resultados e garantindo a presença do banco público em todos os cantos do país.
O que a divulgação deste ano deixou de mostrar
Além dos sinais financeiros, chama atenção a redução significativa na transparência e no detalhamento dos dados divulgados. O release do 1º semestre de 2024 apresentava informações mais completas e comparáveis, que simplesmente desapareceram da comunicação de 2025:
Detalhamento da receita de serviços:
Em 2024, o banco informava quanto veio de cartões, crédito, seguros e loterias. Em 2025, a RPS aparece só como valor agregado, sem origem dos recursos.
Dados sobre PRONAMPE e agronegócio:
Em 2024, os valores eram discriminados por linha e uso. Em 2025, aparecem de forma genérica e com menos volume de contratação.
Inadimplência por segmento (PF, PJ, Imobiliário):
O release de 2024 trazia os percentuais por rating de clientes. Em 2025, só há o índice agregado (2,66%).
Projeto TEIA e investimentos em tecnologia:
Pela segunda vez, dados desse projeto estão ausentes na divulgação. Nenhuma menção a inovação, canais digitais ou automação. Lembramos que, em junho deste ano, a direção do banco afirmou que, no prazo de 1 ano, a Caixa ia se tornar a maior fintech do país. A conferir!
Dados de programas sociais detalhados:
Em 2024, havia número de parcelas e beneficiários por programa. Em 2025, os dados estão consolidados, sem granularidade.
Parcerias público-privadas (PPPs):
Em 2024, o banco divulgava quantidade de projetos, investimentos previstos e setores. Em 2025, não há qualquer menção às PPPs ou estruturação de concessões.
Os números da Caixa no primeiro semestre de 2025 não são isentos de contradições. Mais do que celebrar o lucro, é hora de analisar com seriedade os rumos da instituição. O Comitê seguirá vigilante e comprometido com a defesa do banco público, social e voltado ao desenvolvimento do Brasil. Seguiremos atuando de forma crítica, vigilante e comprometida com sua missão,denunciando retrocessos e valorizando as trabalhadoras, trabalhadores, aposentados e aposentadas.