O Brasil amanheceu nesta quinta-feira (28) com a maior ofensiva já realizada contra a infiltração do crime organizado na economia formal. A Operação Carbono Oculto, deflagrada em conjunto pela Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público e órgãos estaduais, mobilizou mais de 1.400 agentes e cumpriu 200 mandados de busca e apreensão em 10 estados, atingindo o coração financeiro do país, a Avenida Faria Lima, em São Paulo.
As investigações apontam que fintechs e fundos de investimento foram usados como canais de lavagem de dinheiro, permitindo que organizações criminosas como o PCC controlassem cadeias produtivas inteiras, inclusive no setor de combustíveis, movimentando bilhões de reais de forma ilícita. O BK Bank, uma das instituições investigadas, teria registrado sozinho R$ 17,7 bilhões em operações suspeitas. O esquema pode ter causado sonegação de mais de R$ 1,4 bilhão em tributos federais.
Em entrevista ao Estadão, a superintendente da Receita em São Paulo, Márcia Meng, explicou que “o crime organizado está bancarizado”: não precisa mais de paraísos fiscais, basta abrir uma conta de celular em uma fintech para movimentar o dinheiro sujo. Segundo ela, quando a Receita tentou incluir as fintechs em regras já aplicadas a bancos tradicionais, uma onda de fake news sobre uma suposta “taxação do Pix” inviabilizou a medida.
Essa campanha de desinformação, promovida pela direita para desgastar o governo, enfraqueceu o combate ao crime organizado. Hoje fica claro: não se tratava de “cobrar pelo Pix”, mas de garantir ferramentas de fiscalização para diferenciar as fintechs legítimas daquelas capturadas por criminosos.
As operações deflagradas agora revelam as consequências dessa sabotagem: o crime organizado usou a desinformação como escudo para expandir seu poder econômico e político. Grupos criminosos chegaram a controlar importações de combustíveis, adulterar gasolina, ocultar patrimônio em fundos e até dominar cadeias inteiras de produção – afetando a concorrência, a arrecadação de impostos e a própria soberania nacional.
Para o Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa, a lição é clara: combater fake news é combater o crime organizado. O governo federal agiu corretamente ao tentar regular esse setor e proteger o sistema financeiro. É hora de expor como a manipulação política e midiática atrasou medidas essenciais de fiscalização e favoreceu a criminalidade.