Lançada com holofotes em outubro de 2024, a nova versão da Loteria Instantânea — popularmente conhecida como “raspadinha” — representava a grande aposta da recém-criada subsidiária CAIXA Loterias para demonstrar sua eficácia. Com promessas de arrecadar bilhões e de impulsionar a modernização do portfólio de jogos, o produto foi anunciado como símbolo da “nova fase” da gestão lotérica do banco. No entanto, o que se vê hoje é um acúmulo de frustrações, prejuízos e desorganização.
Segundo dados divulgados pela própria CAIXA, nos dois primeiros meses de operação, a Lotex pagou R$ 14 milhões em prêmios. Considerando que 50% do montante arrecadado é tradicionalmente destinado aos prêmios, estima-se que a arrecadação total tenha sido de apenas R$ 28 milhões — um número ínfimo frente às projeções iniciais da CAIXA e do Ministério da Fazenda, que contava com cifras bilionárias (a arrecadação estimada seria de até R$ 2 bilhões) para fechar o orçamento de 2024.
Uma análise publicada no portal especializado BNLData revelou o tamanho do fiasco: as raspadinhas encalharam nas unidades lotéricas, sem apelo ao público e sem um plano comercial robusto. O resultado é um produto que, além de não gerar receita, virou dor de cabeça para a rede lotérica, que já enfrenta sobrecarga operacional e falta de suporte técnico.
E os problemas não param por aí. Durante a virada do ano, o site oficial das Loterias da CAIXA ficou fora do ar por dias, impedindo milhões de brasileiros de realizar apostas justamente na semana da Mega da Virada — o momento de maior arrecadação do ano. Nenhuma estimativa oficial foi apresentada sobre quanto foi perdido em receita, mas os impactos foram sentidos em toda a rede.
O fracasso da Lotex escancara uma verdade incômoda: a migração das operações de Loterias e de Cartões da CAIXA para subsidiárias — uma das grandes bandeiras da gestão anterior — não gerou qualquer ganho institucional para o banco. Ao contrário: criou estruturas paralelas, descoladas da realidade operacional, que pouco ou nada agregam à missão pública da CAIXA. E que, num governo de direita, podem ser privatizadas.
Até hoje, a raspadinha não conta com versão digital — algo inconcebível em um cenário onde o mercado global de jogos já caminha para plataformas totalmente online. Relatos internos de empregados dão conta de um ambiente de trabalho caótico na subsidiária, com sobreposição de funções, falta de clareza de processos e decisões tomadas sem escuta técnica.
A pergunta que fica é: quem ou quais grupos estão se beneficiando com esse modelo? Porque a população, os empregados e empregadas e a CAIXA como instituição pública, claramente não estão.
Saiba mais:
BNL Data: https://bnldata.com.br/lotex-encalha-e-vira-um-problema-para-a-rede-loterica-e-caixa-loterias/
Poder360: Conselho da Caixa aprova passagem das Loterias para subsidiária
Poder 360: Nova raspadinha da Caixa pagará cerca de R$ 1 bilhão em prêmios
Valor Econômico: Em reunião tumultuada, conselho da Caixa aprova migração dos negócios de loterias para subsidiária
Câmara dos Deputados: Comissão da Câmara debate transferência das operações das loterias para subsidiária da CaixaPortal da Câmara dos Deputados