O Janeiro Branco é mais do que uma campanha de conscientização sobre saúde mental. Ele é um convite à reflexão coletiva sobre o impacto das condições de vida e trabalho no bem-estar emocional. No caso da Caixa, a relação entre o ambiente corporativo e a saúde mental dos seus empregados e empregadas continua sendo uma pauta urgente e necessária pois relatos de assédio moral, sexual e adoecimento mental ainda seguem preocupando quem trabalha na empresa.
Para os empregados da Caixa, o Janeiro Branco é uma oportunidade de colocar a saúde mental no centro do debate. A mobilização por melhores condições de trabalho e a criação de um ambiente mais acolhedor passa pela participação ativa dos trabalhadores e por uma gestão comprometida com o bem-estar coletivo.
Não são raros os relatos que chegam ao Comitê de que a cultura de pressão por metas abusivas e a falta de apoio para quem enfrenta dificuldades emocionais permanecem como uma herança negativa deixada pelo ex-presidente Pedro Guimarães, cuja gestão ficou marcada por denúncias graves de assédio e autoritarismo. Essas práticas deixaram não apenas marcas profundas nos trabalhadores e trabalhadoras, mas também um desgaste significativo na imagem institucional da Caixa perante a sociedade.
Estudos apontam que o ambiente de trabalho tem um papel determinante na saúde mental dos trabalhadores, especialmente em setores de alta pressão, como o bancário. Na Caixa, as cobranças excessivas e a busca por metas inatingíveis continuam sendo motivos frequentes de adoecimento. Muitos empregados relatam sintomas como ansiedade, depressão e síndrome de burnout, além de sentirem que não há acolhimento ou suporte adequado para enfrentar esses desafios. Não são raros os casos de entrega espontânea pelo trabalhador (a) do cargo em comissão.
Em 2023, a Caixa começou um processo de mudança, realizou uma pesquisa de clima organizacional, mas, até o momento, os resultados não foram divulgados aos empregados. Essa omissão levanta questionamentos sobre a transparência da gestão e reforça a percepção de descaso com as condições de trabalho. Divulgar os dados dessa pesquisa é fundamental para identificar os principais pontos de insatisfação e implementar mudanças que realmente impactem a vida dos trabalhadores.
As denúncias de assédio moral e sexual na gestão de Pedro Guimarães, ainda sem punição, colocaram a Caixa no centro de um debate nacional. Embora ele tenha deixado o cargo, muitos empregados afirmam que a cultura de assédio não foi totalmente erradicada. Relatos de adoecimento mental, afastamentos do trabalho, humilhações públicas, cobranças abusivas e um ambiente de trabalho hostil ainda persistem, criando um cenário que compromete não apenas a saúde mental, mas também a produtividade e o engajamento dos trabalhadores.
A falta de um mecanismo efetivo para denunciar esses casos é outro ponto crítico. Embora existam canais formais, muitos empregados não se sentem seguros em utilizá-los, temendo retaliações. Isso reforça a necessidade de políticas mais robustas e transparentes que garantam proteção e acolhimento às vítimas.
Norma Regulamentadora nº 1: um novo marco para a saúde mental
No contexto nacional, a saúde mental no trabalho tem ganhado mais relevância, especialmente após a publicação da Norma Regulamentadora nº 1 (acesse aqui), que estabelece diretrizes para a promoção do bem-estar emocional nas empresas. Essa norma reforça que é responsabilidade das organizações criar ambientes de trabalho saudáveis, prevenir o adoecimento e oferecer suporte adequado aos seus trabalhadores.
Como uma instituição pública, a Caixa tem a obrigação de alinhar suas práticas a essas regulamentações, servindo de exemplo para o mercado. Políticas como a criação de programas de apoio emocional, treinamentos para lideranças e medidas efetivas de combate ao assédio moral e sexual devem ser prioridade.
A saúde mental não pode ser vista como uma responsabilidade apenas individual, mas coletiva e institucional. A Caixa Econômica Federal, como banco público, tem o dever de garantir um ambiente de trabalho digno, onde os empregados se sintam seguros e valorizados. A transparência, como na divulgação da pesquisa de clima organizacional, e o compromisso com mudanças reais são fundamentais para transformar o ambiente e cuidar de quem cuida.
Neste Janeiro Branco, o convite à reflexão se estende a todos: cuidar da saúde mental é cuidar da Caixa. Afinal, são os trabalhadores que fazem a instituição ser o que é. Que esse seja breve o início de um novo ciclo, onde o bem-estar seja também uma prioridade.