Olhando para fora da CAIXA – Comite Popular de Luta em Defesa da Caixa https://bemnavidadaspessoas.com.br Wed, 06 May 2026 01:20:54 +0000 pt-BR hourly 1 https://bemnavidadaspessoas.com.br/wp-content/uploads/2022/12/cropped-logocaixadefesa-1-32x32.png Olhando para fora da CAIXA – Comite Popular de Luta em Defesa da Caixa https://bemnavidadaspessoas.com.br 32 32 Cinco anos de resistência, luta e defesa da Caixa pública https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/05/05/cinco-anos-de-resistencia-luta-e-defesa-da-caixa-publica/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/05/05/cinco-anos-de-resistencia-luta-e-defesa-da-caixa-publica/#respond Wed, 06 May 2026 01:20:52 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=4154 Em 4 de abril de 2021, nascia o Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa — herdeiro direto da Nova Primavera de 2019, movimento que estimulou a criação de comitês populares em todo o país como uma proposta dos movimentos sociais para a participação direta dos trabalhadores e trabalhadoras na defesa das instituições públicas. Cinco anos depois, ele segue de pé — mais forte, mais articulado e mais necessário do que nunca. Não por acaso. Mas porque a Caixa Econômica Federal continua sendo um campo de disputa real, e porque há quem se recuse a deixar esse banco ser capturado por interesses que não são os do povo brasileiro.

O Comitê é uma organização popular e democrática, formada por empregados (as), aposentados (as) e cidadãos (ãs) que reconhecem a importância dos sindicatos e das entidades representativas nessa luta. Desde o primeiro dia, buscamos construir uma defesa consistente da Caixa — do ponto de vista técnico e institucional — sobre o que significa defender o banco de verdade.

Ao longo desses cinco anos, o Comitê esteve presente nos momentos mais decisivos da disputa pela Caixa. Cada posicionamento foi uma escolha deliberada de não se calar. Defendemos intransigentemente o papel social da Caixa diante de pressões por privatização e fragmentação — e alertamos para a transferência de operações para subsidiárias, como a Caixa Loterias.

Em 2022, realizamos o Seminário pelo Futuro da Caixa, apresentando ao presidente Lula e ao campo progressista propostas concretas para um banco mais forte, mais social e mais comprometido com o povo brasileiro. Foi um marco de maturidade do Comitê — de organização que denuncia para organização que propõe.

Há ainda uma ferida aberta que o Comitê se recusa a deixar cicatrizar. O assédio moral e sexual na Caixa completa também cinco anos de denúncias — e cinco anos de impunidade. Uma chaga que se aprofundou durante a gestão bolsonarista de Pedro Guimarães, que além dos crimes contra as trabalhadoras (es), trouxe inúmeros prejuízos ao banco: o uso político do auxílio emergencial e do microcrédito em ano de eleição são marcas indeléveis desse período. Não vamos nos calar. Em 2026, denunciaremos novamente, com ainda mais força.

Em cinco anos, crescemos de uma iniciativa embrionária para uma plataforma com quase 14.000 seguidores, todos orgânicos. Esse reconhecimento não é vaidade. É prova de que a narrativa da Caixa pública encontra eco real entre quem trabalha, defende e acredita no banco.

O ano de 2026 é eleitoral, e o que está em jogo não é apenas quem ocupa o governo — é o modelo de país, o papel do Estado e o futuro dos bancos públicos. Nos posicionamos firmemente contra a operação Caixa-BRB — quando a base respondeu com clareza: 98% contrários. Denunciamos a rede de captura que articula grupos políticos e interesses privados, como evidenciado no caso Banco Master. Acompanhamos também com atenção o debate sobre o impacto das apostas esportivas sobre o endividamento das famílias e a integridade do sistema financeiro — tema que atravessa o cotidiano dos trabalhadores. E sempre fomos solidários aos empregados retaliados por defender o banco — nunca culpabilizamos a base.

O avanço do fascismo não é retórica. É um projeto real de desmantelamento das instituições públicas. Derrotar esse projeto é condição para que a Caixa continue sendo o que é: um banco social a serviço do Brasil. O Comitê entra nesse ano com agenda clara — ampliar sua presença, fortalecer alianças progressistas e defender a democracia, porque sem ela não há Caixa pública, não há direitos, não há futuro.

Cinco anos não são uma chegada. São uma renovação de compromisso. Chegamos até aqui porque houve pessoas dispostas a se posicionar quando era mais fácil se calar. Que venham os próximos cinco anos!

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Cinismo politico: Ciro Nogueira ataca o governo, defende os super ricos, mas mantém aliado com salário de R$ 40 mil na presidência da Caixa https://bemnavidadaspessoas.com.br/2025/10/09/cinismo-politico-ciro-nogueira-ataca-o-governo-defende-os-super-ricos-mas-mantem-aliado-com-salario-de-r-40-mil-na-presidencia-da-caixa/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2025/10/09/cinismo-politico-ciro-nogueira-ataca-o-governo-defende-os-super-ricos-mas-mantem-aliado-com-salario-de-r-40-mil-na-presidencia-da-caixa/#respond Fri, 10 Oct 2025 02:04:51 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=3970 O cinismo político chegou a um novo patamar. O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro de Bolsonaro e um dos principais articuladores do Centrão, segue disparando ataques ao presidente Lula e ao governo federal — ao mesmo tempo em que mantém um aliado ocupando um dos cargos mais privilegiados da Caixa.

De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo publicada essa semana, o publicitário José Trabulo Júnior, ex-coordenador da campanha de Jair Bolsonaro em 2022 e homem de confiança de Ciro Nogueira, atua desde setembro de 2024 como consultor da Presidência da Caixa, com salário que chega a R$ 40 mil mensais, além de benefícios equivalentes aos dos empregados do banco, como PLR, plano de saúde e bônus por desempenho.

O cargo, de livre nomeação, foi mantido em sigilo e só veio a público após determinação da Controladoria-Geral da União (CGU), que obrigou a Caixa a divulgar a lista de assessores da presidência via Lei de Acesso à Informação. A revelação expõe mais uma vez a instrumentalização política do banco público por figuras que fazem oposição declarada ao governo, mas continuam se beneficiando de suas estruturas e recursos.

Enquanto cobra a saída do PP do governo, Ciro Nogueira mantém o controle de cargos estratégicos na Caixa, reproduzindo a lógica de aparelhamento que também envolve o presidente da Câmara, Arthur Lira, responsável por emplacar nomes de sua confiança na presidência a nas subsidiárias da instituição, como revelou a Folha em setembro. A contradição e o escárnio são evidentes: os mesmos políticos que sabotam pautas de interesse popular e votam projetos de blindagem e anistia para corruptos e golpistas continuam ocupando espaços dentro de empresas públicas, transformando-as em moedas de troca para fins eleitorais e pessoais.

Para o Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa, esse é mais um alerta: o banco público, que deveria ser instrumento de desenvolvimento e inclusão, está sendo sequestrado por interesses privados e partidários. E o resultado disso é visível — menos entregas ao povo e mais privilégios aos aliados do Centrão. A Caixa não pode continuar refém desse jogo político. Sua missão é servir ao Brasil, não aos gabinetes de Arthur Lira, Ciro Nogueira e seus aliados. Cabe aos empregados, à sociedade e aos movimentos populares resistirem a essa captura e reafirmarem o caráter público, social e estratégico do maior banco do país

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Marina Silva resiste ao machismo no Senado e reafirma compromisso com o meio ambiente https://bemnavidadaspessoas.com.br/2025/05/29/marina-silva-resiste-ao-machismo-no-senado-e-reafirma-compromisso-com-o-meio-ambiente/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2025/05/29/marina-silva-resiste-ao-machismo-no-senado-e-reafirma-compromisso-com-o-meio-ambiente/#respond Fri, 30 May 2025 02:05:35 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=3879 O depoimento da ministra Marina Silva no Senado Federal nesta semana foi mais do que uma audiência institucional: foi um ato de resistência.

Atacada de forma machista e desrespeitosa por senadores da direita, como Marcos Rogério (PL-RO) e Plínio Valério (PSDB-AM), a ministra respondeu com firmeza, coragem e dignidade, denunciando a violência política de gênero que ainda permeia a política brasileira.

Marina, mulher preta, de origem humilde, de uma região mais pobre do pais e reconhecida mundialmente por sua luta ambiental, foi interrompida e atacada por parlamentares que representam grupos econômicos interessados em desmontar a legislação ambiental brasileira.

No entanto, como ela mesma afirmou, sua história já está garantida no registro da política internacional.

O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa se solidariza com Marina Silva e repudia toda forma de violência contra mulheres que ousam ocupar o espaço público.

Saiba mais – O episódio foi tema do podcast Fora do SIPON, produzido por integrantes da Caixa, que destacou também como parte da mídia preferiu focar no comportamento da ministra e não no verdadeiro problema: o avanço da destruição ambiental no Congresso.

Num ano que antecede as eleições municipais, o episódio também é um alerta: precisamos eleger representantes comprometidos com o povo, com o meio ambiente e com a democracia.

Como disse Marina, governar é pensar num projeto de país a longo prazo — e não só nas próximas eleições.

Assista no Spotfy ou em nosso canal no Youtube

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Raspadinha encalhada, site fora do ar e promessas vazias: a fatura da subsidiária CAIXA Loterias chegou? https://bemnavidadaspessoas.com.br/2025/03/23/raspadinha-encalhada-site-fora-do-ar-e-promessas-vazias-a-fatura-da-subsidiaria-caixa-loterias-chegou/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2025/03/23/raspadinha-encalhada-site-fora-do-ar-e-promessas-vazias-a-fatura-da-subsidiaria-caixa-loterias-chegou/#respond Sun, 23 Mar 2025 03:52:24 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=3553 Lançada com holofotes em outubro de 2024, a nova versão da Loteria Instantânea — popularmente conhecida como “raspadinha” — representava a grande aposta da recém-criada subsidiária CAIXA Loterias para demonstrar sua eficácia. Com promessas de arrecadar bilhões e de impulsionar a modernização do portfólio de jogos, o produto foi anunciado como símbolo da “nova fase” da gestão lotérica do banco. No entanto, o que se vê hoje é um acúmulo de frustrações, prejuízos e desorganização.

Segundo dados divulgados pela própria CAIXA, nos dois primeiros meses de operação, a Lotex pagou R$ 14 milhões em prêmios. Considerando que 50% do montante arrecadado é tradicionalmente destinado aos prêmios, estima-se que a arrecadação total tenha sido de apenas R$ 28 milhões — um número ínfimo frente às projeções iniciais da CAIXA e do Ministério da Fazenda, que contava com cifras bilionárias (a arrecadação estimada seria de até R$ 2 bilhões) para fechar o orçamento de 2024.

Uma análise publicada no portal especializado BNLData revelou o tamanho do fiasco: as raspadinhas encalharam nas unidades lotéricas, sem apelo ao público e sem um plano comercial robusto. O resultado é um produto que, além de não gerar receita, virou dor de cabeça para a rede lotérica, que já enfrenta sobrecarga operacional e falta de suporte técnico.

E os problemas não param por aí. Durante a virada do ano, o site oficial das Loterias da CAIXA ficou fora do ar por dias, impedindo milhões de brasileiros de realizar apostas justamente na semana da Mega da Virada — o momento de maior arrecadação do ano. Nenhuma estimativa oficial foi apresentada sobre quanto foi perdido em receita, mas os impactos foram sentidos em toda a rede.

O fracasso da Lotex escancara uma verdade incômoda: a migração das operações de Loterias e de Cartões da CAIXA para subsidiárias — uma das grandes bandeiras da gestão anterior — não gerou qualquer ganho institucional para o banco. Ao contrário: criou estruturas paralelas, descoladas da realidade operacional, que pouco ou nada agregam à missão pública da CAIXA. E que, num governo de direita, podem ser privatizadas.

Até hoje, a raspadinha não conta com versão digital — algo inconcebível em um cenário onde o mercado global de jogos já caminha para plataformas totalmente online. Relatos internos de empregados dão conta de um ambiente de trabalho caótico na subsidiária, com sobreposição de funções, falta de clareza de processos e decisões tomadas sem escuta técnica.

A pergunta que fica é: quem ou quais grupos estão se beneficiando com esse modelo? Porque a população, os empregados e empregadas e a CAIXA como instituição pública, claramente não estão.

Saiba mais:

BNL Data: https://bnldata.com.br/lotex-encalha-e-vira-um-problema-para-a-rede-loterica-e-caixa-loterias/

Poder360: Conselho da Caixa aprova passagem das Loterias para subsidiária

Poder 360: Nova raspadinha da Caixa pagará cerca de R$ 1 bilhão em prêmios

Valor Econômico: Em reunião tumultuada, conselho da Caixa aprova migração dos negócios de loterias para subsidiária

Câmara dos Deputados: Comissão da Câmara debate transferência das operações das loterias para subsidiária da CaixaPortal da Câmara dos Deputados

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Exclusivo: Nota da futura secretária executiva da Secretaria Geral da Presidência, Maria Fernanda Coelho https://bemnavidadaspessoas.com.br/2022/12/28/exclusivo-nota-da-futura-secretaria-executiva-da-secretaria-geral-da-presidencia-maria-fernanda-coelho-2/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2022/12/28/exclusivo-nota-da-futura-secretaria-executiva-da-secretaria-geral-da-presidencia-maria-fernanda-coelho-2/#respond Wed, 28 Dec 2022 21:11:20 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=2915 A integrante do Comitê Popular de Luta em Defesa da CAIXA e futura secretária executiva da Secretaria Geral da Presidência, Maria Fernanda Coelho, acaba de entrar em contato com a Redação do Comitê e solicitar a divulgação da seguinte nota:

 

Aceitei, muito honrada, o convite do Ministro Márcio Macedo, da Secretaria Geral da Presidência da República, para assumir a Secretaria Executiva do Ministério. Agradeço a oportunidade e a confiança para reconstruirmos o Brasil.

Maria Fernanda Coelho

Brasilia, 28 de dezembro de 2022

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Exclusivo: Maria Fernanda concede entrevista ao Comitê https://bemnavidadaspessoas.com.br/2022/12/24/exclusivo-maria-fernanda-concede-entrevista-ao-comite/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2022/12/24/exclusivo-maria-fernanda-concede-entrevista-ao-comite/#respond Sat, 24 Dec 2022 10:24:44 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=2855 Da Redação

O Gabinete de Transição Brasil do Futuro teve seus trabalhos encerrados no último dia 21/12, com a divulgação do seu relatório final. Os coordenadores do Gabinete de Transição fizeram uma apresentação geral dos principais pontos da situação do governo federal encontrada pelos 32 grupos técnicos criados pelo gabinete.

Uma das integrantes do Gabinete, atuando no GT de Cidades, foi a ex-presidenta e empregada aposentada da CAIXA, Maria Fernanda Coelho. Fernanda, que também é uma das integrantes do Comitê Popular de Luta em Defesa da CAIXA, concedeu uma entrevista exclusiva à jornalista Renata Vilela e falou sobre a importância do trabalho do GT de Transição, com o diagnóstico da situação atual do país, da CAIXA e do papel do banco público no novo governo Lula.

Para Fernanda, “a CAIXA necessitará passar por um processo de reconstrução interna, pois houve uma deterioração e deturpação de conceitos basilares da instituição”.

Acesse no link que segue a íntegra da entrevista:

https://www.youtube.com/watch?v=RDxsmarxqXA

 

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Fake News: a prática que tornou a vida dos brasileiros um eterno 1º de abril https://bemnavidadaspessoas.com.br/2022/11/23/fake-news-a-pratica-que-tornou-a-vida-dos-brasileiros-um-eterno-1o-de-abril/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2022/11/23/fake-news-a-pratica-que-tornou-a-vida-dos-brasileiros-um-eterno-1o-de-abril/#comments Wed, 23 Nov 2022 23:00:48 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=1569 Infelizmente, temos vivido numa condição de mitomania, em que o hábito de mentir ou fantasiar

acontece de forma desenfreada e o mentiroso se apresenta como herói ou vítima

 

Da Redação

Na atividade de Inteligência, é antigo o uso de ações que consistem na propagação intencional de notícias com a finalidade de confundir alvos (pessoas ou organizações) tencionando o cometimento de equívocos de apreciação, o que leva os alvos a um comportamento pré-determinado, pretendido pelo difusor das notícias. Trata-se da ação operacional de Inteligência denominada “desinformação”. Tal artifício, muito empregado no meio militar, é a principal arma da alt-right – a direita “alternativa”-,  mundial desde meados da década passada.

No frio de setembro de 1944, folhetos arremessados à Força Expedicionária Brasileira, no front napolitano, além de mensagens de rádio, faziam parte dos métodos nazistas utilizados para desencorajar as tropas brasileiras[1]. Diversos argumentos falaciosos eram utilizados pelos germânicos, como os referentes ao soldo dos “pracinhas”, alertas sobre o intenso inverno, etc. Os alemães, deste modo, desejavam a rendição de mais de 25 mil militares tupiniquins.

De lá para cá, a partir do advento da internet e das redes sociais, com as taxas de conexão cada vez mais altas, somado à vulgarização de dispositivos capazes de conectarem-se à rede mundial, era natural que tal meio fosse usado para efetuar a prática de desinformação, mas de um modo fortemente potencializado em relação aos primórdios da utilização dessa espécie de ação.

Visando utilizar-se de estratégias bélicas, tal como a descrita, Steve Bannon, juntamente com o bilionário Robert Mercer, cofundou a Cambridge Analytica, em 2014, como sendo uma filial estadunidense da Strategic Communication Laboratories (SCL)[2]. O grupo SCL já possuía, por sua vez, uma bagagem em “mudança comportamental” e já teria atuado em mais de sessenta países, conforme a encomenda das forças armadas britânicas.

Bannon é uma figura bastante polêmica. De extrema direita, ele e sua Cambridge Analytica estaria por trás da ascensão da chamada alt-right – a direita “alternativa” –, tendo influenciado diversos movimentos conservadores pelo mundo, como a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, fenômeno conhecido pela sigla Brexit (cujo referendo ocorreu em 2016), a eleição de Trump, no mesmo ano, e as duas eleições para Presidente de Jair Bolsonaro, em 2018 e 2022. Bannon e Bolsonaro chegaram a se reunir em um jantar em Washington DC, em 2019, situação em que estavam também Eduardo Bolsonaro e Olavo de Carvalho, o chamado guru de Bolsonaro[3], morto no ano passado[4].

O constatado é que os métodos utilizados pela alt-right atual apresentaram-se bastante eficazes para a definição de diversos escrutínios, independentemente do mérito dos objetivos alcançados. Questiona-se, assim, se a esquerda ou atores de espectro político diverso poderiam também utilizar-se dessas práticas.

Conquanto sejam ações bem-sucedidas, são notadamente abomináveis. Afinal, o conteúdo disseminado nessas operações consiste em discurso de ódio, fake news e pós-verdades[5]. Então a distorção de fatos apresentada acaba por ser uma ameaça à própria democracia na medida em que as informações sobre os candidatos, ou sobre a pauta que será escolhida, não permitem que os eleitores decidam de acordo com seus interesses, podendo, até mesmo, optar involuntariamente em sancionar algo desfavorável ao que pretendem.

É necessário destacar que a exigência de transparência de dados é desejável independentemente do sistema socioeconômico que se adote. Afinal, aquele que vai consumir o produto precisa estar ciente do que realmente levará para casa, caso contrário, cai-se na chamada “propaganda enganosa”.

A utilização e a ocupação maciça das redes sociais, por grupos de esquerda nessas últimas eleições brasileiras talvez tenham dado um rumo no que se refere ao combate às práticas imorais e ilegais adotadas pela alt-right nesse meio. A esquerda tupiniquim, em 2018, perdia nesse quesito de tal sorte que, até perceber onde estava o trem, ele já havia passado por cima.

São polêmicas, contudo, as formas de abordagem para enfrentamento eficaz das desinformações repassadas por meio das redes. Em recente entrevista[6] efetuada para a jornalista Patrícia Campos Mello, Cristina Tardáglia, fundadora da Agência Lupa, sugere o uso do chamado “silêncio estratégico” para estancar, assim, a propagação da desinformação.

Outras possibilidades foram cogitadas por Soroush Vosough, Deb Roy e Sinan Aral, que sugerem que as políticas de contenção de informação devem enfatizar intervenções comportamentais, porquanto o comportamento humano contribui mais para a disseminação de notícias falsas, nas redes sociais, do que os bots, tendo sido essa uma das conclusões da pesquisa apresentadas à Science, em 2018, pelos cientistas[7].

Já o trabalho feito em 2017, por S. Lewandowsky, U.K.H. Ecker e J. Cook[8], sugere que seria incorreto afirmar que basta mais ou melhor informação para avançar no combate à desinformação. Segundo os pesquisadores, a solução requer mobilização e ativismo político a ponto de criar ferramentas adequadas para minimizá-la. O problema da pós-verdade, então, seria resolvido somente com a motivação suficiente entre os políticos e o público para ser informado, na medida em que houvesse incentivos políticos, sociais e profissionais com a finalidade de adequadamente informar.

Por tudo isso, veículos corajosos e que se propõem a iniciativas como as do Comitê da CAIXA, são de extrema importância para contribuir para a sanidade da nação. Independentemente de ser patológica ou não a compulsão por distorcer a realidade, a mentira deve ser contida para que não se torne “uma verdade”. Mais canais que propagam a veracidade precisam surgir para que não sejamos bombardeados pelos canais virtuais que entorpecem a mente das pessoas com fantasias e alucinações.

Em 1986, a banda gaúcha Engenheiros do Hawaii já cantava: “Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada”… “O fascismo é fascinante, deixa a gente ignorante e fascinada”. Coincidência ou não, a história se repete e nos encontramos, em 2022, num cenário de alucinação coletiva.

 

[1] https://oglobo.globo.com/brasil/historia/panfletos-alemaes-escritos-em-portugues-exigiam-rendicao-brasileira-na-segunda-guerra-14505168

 

[2] https://edition.cnn.com/2018/03/30/politics/bannon-cambridge-analytica/index.html

 

[3] https://www.oprotagonistapolitico.com.br/bolsonaro-janta-com-olavo-de-carvalho-e-steve-bannon-nos-eua/

 

[4] https://veja.abril.com.br/coluna/matheus-leitao/a-tragica-ironia-da-morte-de-olavo-de-carvalho/

 

[5] https://www.seesp.org.br/site/index.php/comunicacao/noticias/item/19628-pos-verdade-fake-news-democracia-e-tecnologia-que-fazer

 

[6] https://youtu.be/bfutdf951TQ

 

[7] https://www.science.org/doi/10.1126/science.aap9559

 

[8] https://research-information.bris.ac.uk/ws/portalfiles/portal/152516154/Pages_from_JARMAC_2017_59_Revision_1_V1.pdf

 

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Participação de Lula vai além do Clima na COP27 https://bemnavidadaspessoas.com.br/2022/11/20/participacao-de-lula-vai-alem-do-clima-na-cop27/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2022/11/20/participacao-de-lula-vai-alem-do-clima-na-cop27/#respond Sun, 20 Nov 2022 22:50:47 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=1594 Presidente eleito discursa sobre desenvolvimento sustentável, tecnologia, geração de empregos,

povos originários e combate à fome

Da Redação

Sob os gritos de “O Brasil voltou”, o Presidente Lula discursou na COP27, no último dia 16, no Egito. O pronunciamento de Lula marca o retorno do Brasil ao cenário mundial do debate climático e, mais do que isso, a volta do maior país da América do Sul ao contexto das discussões geopolíticas em diferentes temáticas.

Ao contrário da retórica negacionista dos últimos 4 anos, Lula posicionou o Brasil como um país em defesa do desenvolvimento sustentável, do equilíbrio de forças internacionais e a favor das parcerias regionais, sem perder de vista a luta mundial contra a miséria.

“Quero dizer que o Brasil está de volta. Para cooperar outra vez com os países mais pobres, sobretudo da África, com investimentos e transferência de tecnologia. Para estreitar novamente relações com nossos irmãos latino-americanos e caribenhos, e construir junto com eles um futuro melhor para nossos povos”, disse o presidente eleito.

Protagonismo na defesa do Meio Ambiente

Com a intenção de sediar a 30° edição da COP na Amazônia em 2025, Lula disse que quer zerar o desmatamento nos biomas brasileiros até 2030. Novamente, o presidente eleito reiterou que há caminho de desenvolvimento econômico a partir de práticas sustentáveis de preservação do meio ambiente. “Vamos provar mais uma vez que é possível gerar riqueza sem provocar mais mudança climática. Faremos isso explorando com responsabilidade a extraordinária biodiversidade da Amazônia, para a produção de medicamentos e cosméticos, entre outros”, disse Lula.

Além disso, Lula buscou trazer o debate do meio ambiente alinhado ao posicionamento de política internacional do Brasil para os próximos anos. Nesse sentido, durante o discurso, o presidente eleito também anunciou o desejo de realizar a Cúpula dos Países Membros do Tratado de Cooperação Amazônica, com a inclusão de Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela nos planos de proteção da Amazônia.

Ainda nesse tema, Lula ponderou sobre uma questão importante no acordo de desenvolvimento sustentável do planeta: o papel dos países ricos no combate à mudança climática. Com olhar voltado especialmente para os países africanos, que vem sofrendo efeitos climáticos extremos, Lula cobrou: “os acordos já finalizados têm que sair do papel.”

A fala do presidente eleito é importante para democratizar o debate a cerca das mudanças climáticas e, principalmente, responsabilizar países com relevantes taxas de emissão de gases do efeito estufa. “É preciso tornar disponíveis recursos para que os países em desenvolvimento, em especial os mais pobres, possam enfrentar as consequências de um problema criado em grande medida pelos países mais ricos, mas que atinge de maneira desproporcional os mais vulneráveis.”, disse Lula.

Geração de Emprego e criação de indústria verde

A participação de Lula na COP27 foi endereçada principalmente na relação entre a situação socioeconômica do mundo e a respectiva preservação do meio ambiente. Para isso, portanto, o presidente eleito apostou no discurso da geração de empregos a partir de indústrias menos degenerativas e na exploração da transição energética, que aponta para fontes de energias como eólica, solar, hidrogênio verde e biocombustíveis.

Nesse sentido, Lula apontou que é preciso “gerar empregos em indústrias menos poluentes na cadeia industrial da reciclagem, que melhora o aproveitamento das matérias primas, e no saneamento básico, que protege a nossa saúde e nossos rios, cuidando da água, elemento indispensável para a vida.”

Sem esquecer de um dos principais motores da economia nacional, Lula fez também um aceno ao agronegócio brasileiro, indicando que deve olhar para o setor com compromisso de manter a rentabilidade e incluir novas tecnologias, respeitando o espaço dos povos originários.

“Estou certo de que o agronegócio brasileiro será um aliado estratégico do nosso governo na busca por uma agricultura regenerativa e sustentável, com investimento em ciência, tecnologia e educação no campo, valorizando os conhecimentos dos povos originários e comunidades locais”, disse o presidente eleito.

Muito além do clima, Brasil vocaliza o desenvolvimento responsável

A participação de Lula na COP27 estabelece como vitrine para o mundo, o pensamento plural do governo para os próximos anos. Extrapolando o debate climático, o presidente eleito passeou por temas como combate à fome, preservação das comunidades locais e povos originários, além de sugerir que o equilíbrio econômico entre os países do mundo é também espelho para um equilíbrio ambiental.

O Brasil retorna ao cenário mundial de cara nova, bem diferente do espectro conspiracionista e autoritário que marcou gestões como a de Trump e Bolsonaro. Agora, o caminho sinalizado é o da colaboração, da responsabilidade e do desenvolvimento social e ambiental com respeito ao planeta e à dignidade do ser humano.

 

 

 

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O espaço para o Futuro na agenda do novo governo Lula https://bemnavidadaspessoas.com.br/2022/11/16/o-espaco-para-o-futuro-na-agenda-do-novo-governo-lula/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2022/11/16/o-espaco-para-o-futuro-na-agenda-do-novo-governo-lula/#comments Thu, 17 Nov 2022 01:40:58 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=1588 Da Redação

 

No último domingo de outubro, encerrada a apuração com a vitoriosa candidatura de Lula, o oficialmente presidente eleito fez um discurso de vitória em que agradecia os apoios e deixava evidente suas prioridades. E para todos que passaram quase quatro anos vendo o desmonte e a destruição do patrimônio cultural e ambiental do Brasil, a fala de Lula foi uma salvação! Um respiro de alívio e um sopro de esperança!

A fala do presidente eleito é completa na perspectiva da agenda da sustentabilidade: o combate à fome, à miséria, à desigualdade, a luta por uma transição climática justa, o desenvolvimento da educação como ferramenta central de transformação das pessoas e de seus mundos, cultura e lazer como caminhos de resgate, libertação e afirmação de valores coletivos, locais e nacionais.

Ninguém fica para trás é um dos lemas da Agenda 2030 dos ODS da ONU e a fala de Lula incorpora evidentemente este compromisso. Ao dizer não à precarização do trabalho, sim à ciência e à educação para qualificação e formação de pessoas com competências atuais para os desafios deste século que já temos atrasos para recuperar.

Ao dizer sim ao empreendedorismo por vocação como forma de inclusão e mudança socioeconômica e proximidade e valor pelas causas socioambientais do país em todos os setores ao invés do negócio descolado de uma agenda cidadã, que emprega precariamente, que sonega, que polui e que mata.

Lula nos apresentou uma agenda de esperança e de transformação sistêmica, ao enaltecer o poder transformador do cooperativos, das políticas de estado para desenvolvimento local sustentável e da necessária parceria com as milhares de prefeituras brasileiras.

Participação genuína, inclusão ampla, solidariedade humana, regeneração e conservação da natureza são os quatro valores que soaram alto no discurso de vitória de Lula, vitória da Natureza, vitória da Democracia, vitória da Humanidade, vitória do Futuro melhor e que se constrói HOJE!

E essa vitória não foi só para nós no Brasil, compreendendo o peso do nosso país na agenda da Sustentabilidade, dia seguinte ao discurso, Noruega e Alemanha sinalizaram o retorno dos investimentos de impacto e direcionados à sustentabilidade ao Brasil ano que vem quando as condicionantes exigidas desde 2019 terão a chance de serem adotadas.

A Caixa tem uma história inegável com esses quatro valores, quatro diretrizes que tem tudo a ver coma empresa e que poderemos expandir, instalar e consolidar por todo o Brasil. E criando, hoje, o futuro sustentável, digno e humano que queremos.

 

Lula na COP:

Presente hoje na COP 27, Lula anunciou que o Brasil abandonará a época do negacionismo ambiental e ressalta que o combate às mudanças climáticas passa pela luta contra a desigualdade e a fome. Convidado a participar da COP 27, a conferência sobre o clima realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no Egito, Lula fez um aguardado discurso no qual avisou que “o Brasil está de volta”.

“Estou hoje aqui para dizer que o Brasil está pronto para se juntar novamente aos esforços para a construção de um planeta mais saudável”, anunciou logo no início de sua fala.

E, em seguida, detalhou sua visão de um planeta saudável: “Um mundo mais justo, capaz de acolher com dignidade a totalidade de seus habitantes – e não apenas uma minoria privilegiada”.

O presidente eleito do Brasil defendeu que o combate às mudanças climáticas passa necessariamente pela luta contra a desigualdade. “Ninguém está a salvo. A emergência climática afeta a todos, embora seus efeitos recaiam com maior intensidade sobre os mais vulneráveis. A desigualdade entre ricos e pobres manifesta-se até mesmo nos esforços para a redução das mudanças climáticas”, ressaltou.

 

 

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A agenda intencional de desmonte da Inovação na CAIXA https://bemnavidadaspessoas.com.br/2022/09/13/a-agenda-intencional-de-desmonte-da-inovacao-na-caixa/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2022/09/13/a-agenda-intencional-de-desmonte-da-inovacao-na-caixa/#comments Tue, 13 Sep 2022 22:09:28 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=683 Da Redação

 

“A única constante é a mudança”, é uma famosa frase atribuída à Heráclito de Éfeso e independente da lente que se utiliza para interpretar esta frase ela é sempre significativa. A manifestação de vida é inerentemente mudança, do nível atômico ao transcendental, passando por células, órgãos, sistemas, organismos e coletivos. O mesmo ocorre com as organizações, a capacidade de se reinventar, renovar e transformar é o que combate a obsolescência e, portanto, reforça a vida das (e nas) organizações.

Reinventar-se ainda que um ato ativo de cada sujeito não ocorre de forma isolada, ao reinventar-se modifica-se as relações que se tem com o meio em que se encontra, modifica-se, portanto, o próprio meio que, por sua vez, ao modificar-se, modifica novamente o próprio ator que iniciou a mudança num ciclo ininterrupto de feedbacks – reforços e restrições – que o centenário, brilhante pensador, Edgar Morin chama de ciclos recursivos e retroativos do pensamento complexo, cujas bases ele é o filósofo criador.

Atenta a este duplo (e gigante) desafio, em uma reestruturação robusta e pensada, em 2013/2014 a CAIXA redefiniu seu modelo de gestão, que incluía entre outras mudanças a alteração de estrutura e dinâmica de processos. Naquele momento foi criada, vinculada à Presidência, a Diretoria de Organização e Estratégia (DEORE), a Superintendência de Inteligência Corporativa e Estratégia (SUICE), vinculada à DEORE e a Gerência Nacional de Inovação (GENOV), vinculada à SUICE.

A SUICE tinha o propósito de coordenar o planejamento estratégico do conglomerado de forma transversal e articulada com todas as unidades estratégias da CAIXA e integradora dos variados instrumentos utilizados pela empresa para orientar os esforços coletivos como o orçamento, plano de negócios e portfólio de projetos – este sob gestão direta da SUICE. Em um esforço para romper com o auto-referenciamento marcante da CAIXA também foi criada pela SUICE uma rede de inteligência corporativa, com gerências de inteligência de mercado presentes nas unidades de negócio da CAIXA e cujo papel era alimentar toda as unidades de informações externas, fazendo com que os tomadores de decisão, formuladores de estratégia e executivos da CAIXA olharem para fora e para frente, para o futuro.

Por esta intenção de contribuir com a reinvenção e renovação permanente da CAIXA, incorporando a inovação como um valor corporativo – naquele momento de 2014, inclusive, enunciado como um dos valores da identidade organizacional da empresa – a GENOV foi criada vinculada à SUICE, ou seja, conectada à estratégia, ao olhar de futuro.

O desafio dessas áreas era, acima de tudo, um desafio de mudança de cultura: a SUICE buscava levar à CAIXA para além do auto-referenciamento e do imediatismo como pano de fundo para tomada de decisão enquanto a GENOV buscava romper as barreiras de mudança, experimentação e conexão com atores internos e externos, mudando traços culturais que são comumente classificados como feudais em analogia ao período histórico homônimo.

A literatura sobre Cultura Organizacional e sua mudança é abundante. Compostas por quadros altamente capacitados – e reconhecidos pela empresa como tal – SUICE e GENOV desenvolveram uma estratégia e um programa de transformação. Pela SUICE uma metodologia e um sistema de gestão estratégico robusto e baseado nas melhores práticas nacionais e internacionais que culminaram com um primeiro e marcante símbolo que foi o primeiro mapa estratégico da história da empresa que foi explicado, distribuído e disposto em todas as unidades pelo Brasil, motivo de orgulho e de comunicação presente e efetiva da estratégia, dando sentido a todas as pessoas que fazem a CAIXA do porquê de cada trabalho, cada objetivo e cada meta.

A GENOV criou o Programa #CAIXAlab de Inovação da CAIXA, o #CAIXAlab se espalhou pelo Brasil, em parceria com diversas áreas, por meio de cursos, oficinas, laboratórios, concursos de ideias, hackathon, TEDx e modelos regionais de comunicação, projetos experimentais, disseminação do Design Thinking e termos e técnicas como dores e jornadas dos usuários, ideação, brainstorming, pensamento lateral, prototipação e avaliação de valor e usabilidade. Por aproximadamente cinco anos a GENOV trabalhou para cumprir seu propósito de apresentar caminhos alternativos de futuro para a CAIXA, com liberdade de comunicação, criação, coragem e persistência para resgatar o potencial criador e revolucionário da CAIXA.

Tanto os trabalhos da SUICE quanto os da GENOV foram baseado em modelos participativos e de cocriação, com oficinas presencias e rede virtual de compartilhamento, escuta ativa e empatia, a fim de identificar as regionalidades e incluí-las nas escolhas e diretrizes definidas porque é desta pluralidade que vem nossa força e vem o repertório igualmente plural para estratégias mais robustas e inovações mais transformadoras, pois, ao contemplarmos muitos olhares diminuímos as tendências e vieses individuais.

Como sempre lembrado e disseminado pela superintendente nacional da SUICE à época, a CAIXA foi criada por Dom Pedro II para receber a poupança dos escravizados que com essa economia compravam sua alforria e para fazer penhor evitando a exploração das pessoas, na maior parte das vezes, mulheres de classe média que penhoravam suas joias e com o dinheiro poderiam libertar-se, talvez, de um marido abusivo. Ou seja, desde o século XIX a CAIXA existe para abrir caminhos em direção à vida digna, à cidadania plena e à justiça social a todos que estão marginalizados em um sistema desigual, violento e excludente.

Já pararam para pensar no tamanho da revolução que foi uma Caixa Econômica e Monte do Socorro no Brasil imperial escravista? Isso é inovação que hoje, no século XXI, chamamos de inovação de impacto! E nós fazíamos no século XIX! Apesar de presente, este propósito genuíno de transformação foi dando lugar para uma imitação pouco efetiva das práticas dos demais atores do sistema financeiro, seja fruto de uma “mentalidade de vira-latas” da CAIXA seja pela miopia estratégia ou incompetência de seus dirigentes que chegou ao ápice com a administração que assumiu em 2019 com a agenda evidente de desmonte e subordinação de uma estatal aos interesses de um governo temporário.

Em 2019 SUICE e GENOV foram extintas, substituídas por áreas que passaram a proclamar compromisso com compliance e governança que na verdade e, descobrimos pela coragem de diversos colegas em trazer à luz, estavam a serviço de patrulha ideológica e perseguição de todos que não se curvavam ao desmonte e à prática de assédio moral e sexual implantado como modelo de gestão de pessoas e da empresa com a triste conivência de empresas concursados que aí ainda estão. Junto com a extinção das áreas foi paulatinamente sendo desfeito, desacreditado ou esquecido todo o trabalho de construção, o mapa estratégico e a rede de inteligência deram lugar a objetivos impostos pela presidência e comunicados de forma vaga e incompleta a fim de permitir que tudo que se quisesse pudesse ser feito e disfarçado com uma narrativa criativa – e bem questionável – de governança. Tema para o qual temos uma publicação específica que você pode consultar aqui.

A parceria de inovação aberta da CAIXA com a USP, pioneira em formato, abrangência e benefício para a empresa, foi unilateralmente cancelada sem nem ao menos ter sido testada e experimentada porque fora criada no período do governo considerado inimigo. Potenciais parceiros em concursos de ideias e projetos inovadores foram excluídos mesmo depois de avaliados como melhores indicados por conta de posicionamentos pessoais contrários a ações do governo federal e os empregados que tiveram maiores destaques nos trabalhos foram silenciados, dispersos e rotulados como persona non grata para nenhuma nova posição na empresa. Claro que, estrategicamente, e para isso tem estratégia, alguns foram usados como exceção para comprovar a regra, prática marcante nesta gestão.

A agenda disso tudo é evidente para todos os que por anos se dedicaram a entender cenários e interpretar movimentos estratégicos: tirar a capacidade crítica da empresa, deslegitimar as lideranças existentes para que qualquer um pudesse assumir qualquer cargo e, assim, colocar pessoas sem a maturidade adequada, sem o conhecimento necessário para subsidiar tomadas de decisão em favor da CAIXA mas sim obedecer sem base para questionamento – seja por medo, seja por ignorância – qualquer desmando que, como os que já indicamos anteriormente, servem a um único fim: deixar a CAIXA incapaz de reinventar-se de forma difusa, ou seja, impossibilitar que os empregados percebam as mudanças do contexto, elaborem possibilidades de resposta, testem estas possibilidades, avaliem-nas e escale, expanda aquelas que tiverem melhores condições de garantir que a CAIXA cumpra seu verdadeiro papel de transformar a realidade do Brasil a partir da apresentação de dinâmicas novas nos setores da economia.

Tornar a CAIXA obsoleta ao enfraquecer sua capacidade de inovação, renovação, mudança e estratégia, tira do Brasil um dos mais poderosos meios de transformação que temos: uma empresa pública, presente em todos os lugares, com uma agenda de engajamento e geração de valor social e sustentabilidade legítimos para atuar na economia a fim de mudar as bases da concorrência pela própria prática concorrencial e também a dinâmica econômica por meio de políticas públicas e ações anticíclicas. Ao definharmos com a privatização velada de negócios potenciais espalhados pelo conglomerado e uma agenda privada sendo implantada no que resta de público na CAIXA, definhamos o Brasil junto!

É possível sair deste atoleiro, levantar a cabeça e resgatar nossa capacidade de olhar para a frente (para o futuro), para fora (para o mundo) e experimentar novas narrativas, ou seja, novas práticas de como alcançar a sustentabilidade forte e a vida digna a todos os brasileiros. Para esta reconstrução é fundamental o apoio explícito, irrestrito, disciplinado e presente da alta administração, especialmente dos dirigentes da empresa. Vale lembrar que, os trabalhos da SUICE e GENOV mais prosperaram durante a gestão do então presidente Jorge Hereda, tão presente e envolvido com estas agendas que a visão de sermos um dos três maiores bancos do Brasil foi antecipadamente atingida, programas provocados pelas discussões levadas pela SUICE ao Conselho Diretor como o da Transformação Digital foram criados e Design Thinking, projetos e oficinas de inovação espalharam-se pelo país e ajudaram a identificarmos talentos que ainda hoje são lembrados ou atuam na CAIXA e mesmo fora.

Com dirigentes verdadeiramente comprometidos com o papel transformador da CAIXA e competentes para o desempenho do seu papel, o que inclui, terem a maturidade de contornar comandos deletérios à CAIXA e apresentar alternativas benéficas à companhia, poderemos:

  1. Assumir o compromisso de colocar a inovação na CAIXA a serviço da transformação do Brasil, objetivo com o qual a empresa foi criada.
  2. Reestabelecer o espaço corporativo e unidades em nível de influência e direção proporcionais para discussão e construção estratégica e de inovação.
  3. Incorporar à avaliação de desempenho de dirigentes o compromisso efetivo com inovação e estratégia.
  4. Implantar a política, estratégia e modelo de gestão de inovação abandonados pela atual administração que adotavam um modelo participativo, aberto e transparente.
  5. Assegurar orçamento específico para Inovação e voltado aos três horizontes de transformação: H1 (otimização do presente), H2 (transição para futuro) e H3 (futuro radicalmente novo).
  6. Implantar um espaço de incubação e uma sandbox dentro da CAIXA para fomentar o intraempreendedorismo e a experimentação em larga escala.
  7. Formar lideranças com conhecimento e, especialmente, práticas de gerenciamento de pessoas e processos amigáveis à inovação.
  8. Resgatar e expandir o programa de inovação aberta da CAIXA com parcerias nacionais e internacionais para fomento de práticas inovadores em temas-chave para a organização, como economia regenerativa, agroecologia, cidades inteligentes, humanas e inclusivas, desenvolvimento de territórios sustentáveis, políticas públicas de cidadania e dignidade (MCMV, Bolsa Família e renda mínima, igualdade de gênero e racial, entre outros)
  9. Implantar o projeto de Agências do Futuro abandonados, sem nem conhecer, por esta administração.
  10. Assegurar governança da estratégia e da inovação íntegras, livres e comprometidas com a CAIXA e não com governos temporários, ainda que sejamos parceiros e executores das políticas destes governos.
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