Comite Popular de Luta em Defesa da Caixa https://bemnavidadaspessoas.com.br Wed, 02 Sep 2026 19:27:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://bemnavidadaspessoas.com.br/wp-content/uploads/2022/12/cropped-logocaixadefesa-1-32x32.png Comite Popular de Luta em Defesa da Caixa https://bemnavidadaspessoas.com.br 32 32 Negociação é o melhor caminho — por isso Saúde Caixa precisa de mesa específica https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/09/02/negociacao-e-o-melhor-caminho-por-isso-saude-caixa-precisa-de-mesa-especifica/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/09/02/negociacao-e-o-melhor-caminho-por-isso-saude-caixa-precisa-de-mesa-especifica/#respond Wed, 02 Sep 2026 19:27:49 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=4278 A negociação coletiva dos bancários avançou após meses de mobilização, pressão e atuação das entidades representativas.

A categoria conseguiu arrancar recomposição salarial, aumento real e impedir retrocessos que os bancos tentaram impor na mesa. Isso precisa ser reconhecido: nada veio de graça. Cada avanço é resultado da organização dos trabalhadores e trabalhadoras.

Mas, no caso da Caixa, há um ponto que vem tensionando a reta final: o Saúde Caixa.

As entidades alertam para um risco concreto: como o Saúde Caixa integra o mesmo instrumento das demais matérias do ACT, uma eventual rejeição da proposta pode comprometer também pontos em que já existe maior convergência.

Por isso, defendem retirar as cláusulas do Saúde Caixa do atual ACT, preservar as demais cláusulas negociadas, estabelecer novo prazo para o plano e criar um GT específico para buscar uma proposta melhor.

O ponto é simples: não se trata de abandonar a negociação coletiva. Trata-se de assegurar tempo e condições para aperfeiçoar a proposta, preservar os avanços já construídos no ACT e continuar negociando uma solução responsável para o plano.

Soa estranho que, depois de meses de alertas e discussões, a direção da Caixa deixe esse tema ganhar esse peso justamente agora, perto do fechamento da campanha coletiva.

Se o banco já sabia que havia problema, por que deixar essa discussão chegar a este ponto na reta final?

Ao misturar o Saúde Caixa com a negociação geral, a Caixa cria uma percepção perigosa: a de que os empregados podem “perder” ao apoiar os avanços conquistados. Isso confunde a base, aumenta o descontentamento e desloca o foco do que realmente importa.

O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa se soma às entidades representativas dos empregados: negociação é o melhor caminho, mas o Saúde Caixa precisa de prazo próprio, debate aprofundado e grupo de trabalho específico.

Com dados claros, transparência, participação efetiva dos representantes dos empregados e respeito a quem sustenta a missão pública da Caixa todos os dias.

Negociar é o caminho. E o Saúde Caixa exige tratamento específico.

    ]]>
    https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/09/02/negociacao-e-o-melhor-caminho-por-isso-saude-caixa-precisa-de-mesa-especifica/feed/ 0
    A indústria do ódio tem dono, método e caixa-preta financeira https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/09/01/__trashed/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/09/01/__trashed/#respond Wed, 02 Sep 2026 02:10:38 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=4274 Reportagens publicadas pelo Intercept Brasil e pela revista Piauí desmontam uma fábula conveniente: a de que as milícias digitais bolsonaristas seriam apenas um movimento espontâneo de apoiadores indignados. O que aparece é outra coisa: uma operação organizada, com briefing semanal, rede de influenciadores, vantagens econômicas e uma caixa-preta financeira em torno do projeto político de Jair Bolsonaro.

    No centro da engrenagem digital está a plataforma “Direita Já”, registrada no Tribunal Superior Eleitoral como site oficial de campanha e capitaneada por Flávio Bolsonaro. Segundo o Intercept, a estrutura articula mais de 200 influenciadores, com alcance somado estimado em 50 milhões de pessoas, entregando pautas prontas, conteúdo exclusivo e “suporte direto da equipe de produção”. Não é debate público orgânico. É terceirização da desinformação, com comando político e recompensa pela amplificação.

    A revista Piauí revelou outra dimensão da mesma engrenagem: o dinheiro que circula nos bastidores do projeto Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, um relatório do Coaf mostra que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviou ao fundo americano Havengate Development Fund mais uma parcela de 1,6 milhão de dólares em setembro de 2025 — depois de Flávio Bolsonaro ter dito publicamente que o último pagamento havia ocorrido em maio. Com isso, o total conhecido teria passado de 10,6 milhões para 12,3 milhões de dólares, mais de 65 milhões de reais na cotação da época.

    A Piauí aponta ainda indícios de um novo repasse em outubro de 2025. Em mensagens obtidas pela revista, o publicitário Thiago Miranda perguntou a Vorcaro se seria possível “liberar as parcelas do filme”, sob risco de “parar tudo por lá”. A resposta foi direta: “Liberei mais uma hoje”. Se confirmado, o total desembolsado chegaria a 14 milhões de dólares, cerca de 72 milhões de reais.

    O que isso tem a ver com a defesa da Caixa? Tudo. A mesma máquina que fabrica pânico sobre a economia para atingir Lula também atua para desmoralizar instituições públicas, bancos públicos e políticas sociais. Quando a mentira vira negócio, ela corrói a confiança da sociedade na democracia e nas estruturas que chegam à vida concreta do povo — do FGTS ao Bolsa Família, do crédito habitacional ao Pé-de-Meia.

    Há ainda um agravante jurídico e político: uma advogada eleitoral ouvida pela Intercept afirma que, quando o influenciador passa a lucrar, o conteúdo deixa de ser apoio orgânico. Somado aos repasses revelados pela Piauí no caso Dark Horse, o desenho é conhecido: usar estrutura, dinheiro e influência para fabricar consenso — e depois chamar de “orgânico” o que foi impulsionado por interesse político e econômico.

    O Comitê acompanha esse movimento porque entende que a batalha de 2026 também será travada no terreno onde a mentira é industrializada, financiada e vendida. Denunciar quem financia o ódio é defender instituições públicas fortes, informação honesta e o direito dos trabalhadores e trabalhadoras de não serem enganados por quem lucra com o medo.

    Contra a fábrica de mentiras, a nossa arma é a verdade organizada. E a verdade tem lado: o do povo que construiu a Caixa, defende os bancos públicos e não vai entregar o Brasil a quem faz da destruição um negócio.

    ]]>
    https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/09/01/__trashed/feed/ 0
    Do conselho do banco de Edir Macedo, acusado de fraude, à economia de Flávio Bolsonaro: a trajetória de Daniella Marques https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/08/24/do-conselho-do-banco-de-edir-macedo-acusado-de-fraude-a-economia-de-flavio-bolsonaro-a-trajetoria-de-daniella-marques/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/08/24/do-conselho-do-banco-de-edir-macedo-acusado-de-fraude-a-economia-de-flavio-bolsonaro-a-trajetoria-de-daniella-marques/#respond Tue, 25 Aug 2026 01:43:56 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=4198 Ela ocupou uma cadeira de conselheira independente no Banco Digimais até dezembro. Em junho, a Polícia Federal bloqueou R$ 670 milhões do banco e apontou balanços manipulados. Procurada, não respondeu.

    Em 23 de junho de 2026, mais de 50 policiais federais cumpriram nove mandados de busca na Operação Miragem. O alvo era o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo. A Justiça bloqueou cerca de R$ 670 milhões e quebrou os sigilos bancário e fiscal dos investigados. A PF aponta gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrações financeiras e operação de crédito não autorizada — crimes da Lei 7.492/1986.

    Entre fevereiro de 2024 e 8 de dezembro de 2025, uma das seis cadeiras do Conselho de Administração desse banco foi ocupada por Daniella Marques Consentino, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e hoje coordenadora do programa econômico da campanha do senador Flávio Bolsonaro. Os registros são da Junta Comercial de São Paulo, conforme apurou o Metrópoles.

    O que um conselheiro assina

    Cadeira de conselho não é enfeite de currículo. O Conselho de Administração fiscaliza a diretoria, aprova a política de risco e responde pelas demonstrações financeiras. Conselheiro independente existe para ser o olho de fora, o contrapeso do controlador. Era um dos três assentos independentes do Digimais.

    E ela não entrou num banco insuspeito. Quando assumiu, em fevereiro de 2024, o Banco Central já havia constatado infrações no ano anterior e determinado reversões contábeis: o patrimônio do banco inchara de cerca de R$ 71 milhões para R$ 741 milhões por meio de transferências de fundos, e o regulador mandou desfazer.

    O que a PF descreve depois é a continuação do mesmo filme. Entre 2023 e 2024, o Digimais emitiu CDBs pagando mais de 110% do CDI para captar dinheiro de investidores de varejo protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos. Ativos eram reavaliados dentro de fundos para inflar o patrimônio, driblar o Índice de Basileia e ocultar a deterioração da carteira. O banco acumulou cerca de R$ 600 milhões de exposição a carteiras do Banco Master, liquidado em novembro de 2025. Na imprensa financeira, o Digimais já é o “novo Master” — e o Banco Central avalia liquidá-lo também.

    Em 8 de dezembro de 2025, o conselho foi simplesmente extinto, meses antes do fim dos mandatos. Três semanas depois, saiu a venda dos fundos. A pergunta é direta: o que aquele conselho viu, o que registrou em ata e por que deixou de existir justamente na véspera?

    Não é a primeira vez que ela está perto de um rombo. Daniella Marques presidiu a Caixa entre julho de 2022 e janeiro de 2023, e foi nesse período que o Fundo de Garantia levou a maior mordida de sua história recente. O microcrédito SIM Digital, criado por medida provisória do governo Bolsonaro, aportou R$ 3 bilhões do FGTS num fundo garantidor para cobrir o risco dos bancos. A inadimplência passou de 80%. Como revelou a Folha de S.Paulo, R$ 2,3 bilhões nunca voltaram, e a Caixa ainda perdeu cerca de R$ 460 milhões. Ao mesmo tempo, ocorreu o uso eleitoral da máquina do banco: só entre o primeiro e o segundo turno, R$ 7,6 bilhões saíram em consignado do Auxílio Brasil.

    O padrão é o mesmo nas duas histórias, e os empregados e empregadas da Caixa conhecem de cor: o risco é empurrado para um fundo garantidor — o FGTS aqui, o FGC ali — e a conta cai no colo do trabalhador. Foram empregados da Caixa que barraram operações com o Banco Master, e alguns pagaram por isso com retaliação. O mesmo Master que reaparece agora na carteira do banco onde ela era conselheira.

    Cadeira de conselho não é linha de currículo. É assinatura embaixo do balanço — e assinatura se cobra.

    ]]>
    https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/08/24/do-conselho-do-banco-de-edir-macedo-acusado-de-fraude-a-economia-de-flavio-bolsonaro-a-trajetoria-de-daniella-marques/feed/ 0
    Bets drenam bilhões das famílias mais pobres — e é por isso que a Caixa jamais pode virar sócia desse mercado https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/08/14/bets-drenam-bilhoes-das-familias-mais-pobres-e-e-por-isso-que-a-caixa-jamais-pode-virar-socia-desse-mercado/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/08/14/bets-drenam-bilhoes-das-familias-mais-pobres-e-e-por-isso-que-a-caixa-jamais-pode-virar-socia-desse-mercado/#respond Sat, 15 Aug 2026 01:53:23 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=4193 Dados do Banco Central e do TCU, publicados pelo Estadão, expõem um problema de saúde pública que já consome renda de quem recebe Bolsa Família. O caminho do banco público é a educação financeira — não o balcão da aposta.

    Os números que ganharam a capa do Estadão hoje (14) são difíceis de encarar. Com base em estatísticas de pagamentos do Banco Central e em cálculos do Tribunal de Contas da União (TCU), a reportagem mostra que, só em agosto de 2024, mais de 5 milhões de pessoas que recebem o Bolsa Família transferiram cerca de R$ 3,17 bilhões para casas de apostas. O TCU adotou uma premissa conservadora, de que valores acima de R$ 600 não viriam do benefício, e ainda assim estimou que ao menos R$ 162 milhões saíram diretamente do Bolsa Família naquele único mês. E há um detalhe cruel na engrenagem: cerca de 85% de tudo que entra volta ao apostador como “prêmio” — dinheiro que gira, ilude e evapora.

    O retrato de 2025 é ainda mais eloquente. As perdas das famílias brasileiras com bets somaram cerca de R$ 62,5 bilhões — o equivalente a quase 40% de tudo o que o país pagou em Bolsa Família e a mais da metade do Benefício de Prestação Continuada (BPC), repassado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. Sozinhas, as perdas com aposta superaram o que o Estado gastou com seguro-desemprego, abono salarial, Pé-de-Meia e Auxílio Gás. É um rombo social que supera o PIB de quatro estados inteiros: Sergipe, Amapá, Acre e Roraima. Não é entretenimento inofensivo — é renda que sai da mesa, do remédio e do material escolar para alimentar uma indústria que devolve pouco e retém muito.

    Diante disso, uma pergunta se impõe: qual deve ser o papel de um banco público nesse cenário? A resposta do Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa é clara e não é de hoje. A Caixa é o banco social do Brasil, nascido para financiar a casa própria, pagar benefícios, levar crédito a quem o mercado ignora e cuidar da poupança popular. Transformar essa instituição — ou suas subsidiárias — em mais um balcão de apostas seria trair a sua própria história. Já defendemos, e voltamos a defender, que o governo agiu certo ao questionar qualquer plano de a Caixa criar uma “bet”. Um banco que existe para proteger o povo não pode lucrar com a ludopatia do povo.

    Enquanto a lógica do lucro rápido empurra estatais para dentro do jogo, os dados mostram o tamanho do estrago. A aposta compulsiva já é tratada como questão de saúde pública, e são justamente os mais vulneráveis — quem depende de benefício, quem tem menos margem para errar — os que mais perdem. Colocar o banco público como parte desse mercado não amplia direitos: aprofunda a captura do que é do povo pela lógica do que é do mercado. É exatamente a migração para subsidiárias e para o balcão de negócios que o Comitê denuncia há tempos.

    Há um caminho melhor, e ele cabe à Caixa como poucas instituições no país. Em vez de disputar o bolso das famílias na roleta, o banco público pode e deve ser protagonista de educação financeira, de conscientização e de proteção de quem já está endividado. Esse é o uso legítimo da força de um banco de mais de 160 anos: reduzir dano, não multiplicá-lo.

    Diante desse cenário, o Comitê entende que é fundamental:

    • Blindar a Caixa e suas subsidiárias de qualquer projeto de entrada no mercado de apostas, hoje e nas decisões que virão em 2026;
    • Educação financeira como política de banco público — programas ativos da Caixa de conscientização e apoio a apostadores endividados;
    • Vigilância permanente contra a lógica que quer transformar o banco social do país em balcão de negócios.

    O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa reafirma: banco público existe para pôr dinheiro no futuro das famílias, não para retirá-lo na aposta. Seguiremos vigilantes.

    ]]>
    https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/08/14/bets-drenam-bilhoes-das-familias-mais-pobres-e-e-por-isso-que-a-caixa-jamais-pode-virar-socia-desse-mercado/feed/ 0
    A Campanha Lula Livre não foi esquecida — e ontem isso ficou ainda mais evidente https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/08/07/a-campanha-lula-livre-nao-foi-esquecida-e-ontem-isso-ficou-ainda-mais-evidente/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/08/07/a-campanha-lula-livre-nao-foi-esquecida-e-ontem-isso-ficou-ainda-mais-evidente/#respond Fri, 07 Aug 2026 19:48:46 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=4180 Na noite de ontem, 6 de agosto de 2026, o restaurante Tia Zélia, em Brasília, foi palco de um evento que vale registrar: o lançamento do livro Um por Todos, Todos por Lula, do jornalista e escritor Haroldo Ceravolo Sereza, publicado pela Fundação Perseu Abramo.

    Entre os presentes, integrantes do Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa — uma presença que não é por acaso. Em 7 de abril de 2018, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi preso em uma das mais contestadas decisões judiciais da história recente do Brasil. O que se seguiu foi uma das maiores mobilizações cívicas do país: a Campanha Lula Livre.

    De norte a sul, comitês se espalharam pelo Brasil — mais de 300 comitês locais e ao menos 20 espalhados pelo mundo. Sem presidente, sem hierarquia, mas com organização e compromisso. O Comitê Internacional de Solidariedade em Defesa de Lula e a Democracia no Brasil foi lançado em 15 de março de 2018, durante o Fórum Social Mundial, em Salvador.

    A campanha mobilizou movimentos populares, sindicatos, partidos políticos, lideranças indígenas, do movimento negro, da comunidade LGBTQIA+, jornalistas e militantes de base. Era uma luta pela liberdade de um líder, mas era — acima de tudo — uma luta pela democracia brasileira.

    Em novembro de 2019, Lula foi solto. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro. Lula estava livre e elegível. Em 2022, voltou à Presidência da República.

    Um livro que preserva essa memória

    Um por Todos, Todos por Lula reconstrói os bastidores, os personagens e as estratégias que transformaram a Campanha Lula Livre em uma das mais expressivas mobilizações da história política recente do país. O jornalista Haroldo Ceravolo Sereza reúne entrevistas, relatos e documentos, além de um caderno fotográfico que resgata a dimensão humana dessa luta.

    O lançamento em Brasília, no Restaurante Tia Zélia, reuniu lideranças e militantes progressistas que foram parte ativa dessa história — ou que continuam a escrevê-la.

    Não é coincidência que integrantes do Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa estiveram no evento. Nossa organização é herdeira direta da Nova Primavera de 2019 — movimento que, no espírito dos comitês Lula Livre, estimulou a criação de comitês populares em defesa de instituições públicas estratégicas, como a Caixa.

    O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa nasceu da mesma matriz: uma organização popular e democrática, formada por empregados(as), aposentados(as) e cidadãs(ãos) que reconhecem a importância dos sindicatos, das entidades de classe e da mobilização coletiva.

    Assim como os comitês Lula Livre não tinham presidente nem hierarquia — mas tinham organização, responsabilidade coletiva e clareza de propósito —, o Comitê Popular de Defesa da Caixa opera com a mesma lógica: cada voz importa, cada ação conta. Defender a Caixa é defender a mesma bandeira que estava nas ruas em 2018 e 2019: a bandeira da democracia, do Estado a serviço do povo e da soberania nacional.

    ]]>
    https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/08/07/a-campanha-lula-livre-nao-foi-esquecida-e-ontem-isso-ficou-ainda-mais-evidente/feed/ 0
    Flávio Bolsonaro, Caiado e o mesmo projeto: como a direita preparou o caminho para entregar o Brasil https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/08/02/flavio-bolsonaro-caiado-e-o-mesmo-projeto-como-a-direita-preparou-o-caminho-para-entregar-o-brasil/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/08/02/flavio-bolsonaro-caiado-e-o-mesmo-projeto-como-a-direita-preparou-o-caminho-para-entregar-o-brasil/#respond Mon, 03 Aug 2026 02:21:04 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=4177 Em menos de um ano, dois movimentos distintos protagonizados pela direita criaram as condições para a entrega do patrimônio mineral brasileiro a interesses privados e estrangeiros. O primeiro: segundo reprotagem do portal ICL Notícias,o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atuou em todas as etapas do artigo 58 da nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental — a regra que desobriga bancos de fiscalizar danos ambientais em projetos que financiam. O segundo: o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD-GO) sancionou legislação estadual, assinou memorando com os EUA e abriu o caminho para a venda da Serra Verde — a maior reserva de terras raras fora da Ásia — por US$ 2,8 bilhões a uma empresa de Oklahoma.

    O arcabouço legal brasileiro era claro: quem financia atividades poluidoras responde pelos danos. O artigo 58 rompe com essa lógica. Como explica a especialista em direito ambiental Monique Rocha Salerno Lisboa, “a simples apresentação da licença passa a ser suficiente para reduzir a responsabilidade do financiador.” Flávio não apenas votou pela aprovação: apresentou emenda e, após o veto de Lula, votou pela derrubada — garantindo a incorporação definitiva do dispositivo. No mesmo período, o Banco Master, de Daniel Vorcaro — investigado pela PF em caso que envolve o senador — mantinha operações em mineração e minerais críticos: exatamente os setores beneficiados pela nova regra.

    A porteira aberta por Caiado

    Em agosto de 2025, Caiado sancionou lei criando a Autoridade Estadual de Minerais Críticos em Goiás. Em março de 2026, assinou memorando com os EUA e celebrou o financiamento de US$ 565 milhões da DFC — agência de fomento do governo americano — à Serra Verde. Semanas depois, com a venda consumada, o mesmo Caiado acusou Lula de “vender o Brasil”. Quem abriu a porteira se apresenta agora como guardião da soberania.

    Esses dois episódios não são coincidência. São dois movimentos do mesmo projeto: flexibilizar proteções ambientais, abrir minerais estratégicos ao capital externo e proteger os bancos que financiam tudo isso. Em ano eleitoral, com interferência americana documentada, o padrão precisa ser nomeado.

    O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa reafirma: a defesa do patrimônio público alcança o subsolo, os minerais estratégicos e a soberania nacional. Quem desobriga os bancos de fiscalizar danos ambientais e quem entrega a reserva mineral mais estratégica do continente a uma empresa americana são sócios no mesmo projeto. Soberania não se negocia no balcão da Faria Lima, nem no subsolo de Goiás.

    ]]>
    https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/08/02/flavio-bolsonaro-caiado-e-o-mesmo-projeto-como-a-direita-preparou-o-caminho-para-entregar-o-brasil/feed/ 0
    Enquanto entregava as terras raras de Goiás aos EUA, Ronaldo Caiado se vende como “moderado” — a quem serve esse rótulo? https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/07/31/enquanto-entregava-as-terras-raras-de-goias-aos-eua-ronaldo-caiado-se-vende-como-moderado-a-quem-serve-esse-rotulo/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/07/31/enquanto-entregava-as-terras-raras-de-goias-aos-eua-ronaldo-caiado-se-vende-como-moderado-a-quem-serve-esse-rotulo/#respond Fri, 31 Jul 2026 19:49:47 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=4174 No dia 20 de abril de 2026, a norte-americana USA Rare Earth, sediada em Oklahoma, anunciou a compra da mineradora Serra Verde, em Minaçu (GO), por cerca de US$ 2,8 bilhões. Não se trata de uma transação qualquer: a Serra Verde é a única operação em escala fora da Ásia capaz de processar quatro terras raras críticas — neodímio, praseodímio, térbio e disprósio —, os minerais que movem desde carros elétricos e turbinas eólicas até a indústria de defesa. O bem mineral mais estratégico do continente passou ao controle de uma empresa americana sediada em Oklahoma.

    O terreno para essa entrega não foi preparado por acaso. Foi o ex-governador de Goiás e candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, quem pavimentou o caminho. Em agosto de 2025, sancionou a Lei estadual nº 23.597, criando uma Autoridade Estadual de Minerais Críticos. Em março de 2026, assinou um memorando de entendimento com os Estados Unidos e celebrou publicamente o financiamento de US$ 565 milhões concedido à Serra Verde pela DFC, a agência de fomento do governo americano. Semanas depois de facilitar a operação, o mesmo Caiado subiu o tom e acusou Lula de “vender o Brasil”. O cinismo político chegou a um novo patamar: quem abriu a porteira agora se apresenta como guardião da soberania.

    O “moderado” que a Faria Lima quer eleger

    Há um esforço deliberado de vender Ronaldo Caiado como um nome “moderado” da direita. É um rótulo conveniente, mas desmentido pelos próprios fatos. Não há moderação alguma em entregar a um país estrangeiro o controle de um patrimônio mineral estratégico enquanto se posa de patriota. Um “moderado”, nesse enquadramento, sempre foi apenas um perfil de direita apresentável o suficiente para tranquilizar o grande capital sem assustar o eleitorado. A pergunta que fica é: moderado em relação a quê, e a favor de quem?

    Enquanto Goiás corria para assinar acordos exclusivos com Washington, o governo federal seguia caminho oposto. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, pela voz do ministro Márcio Elias Rosa, foi direto: “Não queremos ser um exportador de matéria-prima.” A venda também não passou sem contestação: a deputada Heloisa Helena entrou com ação civil pública na Justiça Federal no mesmo 20 de abril, e deputados do PSOL — Sâmia Bomfim, Glauber Braga e Fernanda Melchionna — protocolaram representação na Procuradoria-Geral da República pedindo a anulação do negócio e a investigação de Caiado.

    Esse episódio não pode ser lido isoladamente. O mesmo raciocínio que trata as terras raras como mercadoria a ser leiloada mira todo o patrimônio construído pelo povo brasileiro — as estatais estratégicas, os bancos públicos, a Caixa Econômica Federal entre eles. Não por acaso, o Comitê já alertava para a ofensiva contra o Pix, criação pública brasileira que os Estados Unidos passaram a atacar para favorecer suas empresas de pagamento, como noticiou a Agência Brasil. É a mesma lógica, em outra frente: o que é do povo vira alvo. E, nesse ponto, a direita fala a uma só voz — seja na versão declarada de Flávio Bolsonaro, seja na embalagem “moderada” de Caiado. Muda o rótulo; não muda o destino da conta.

    A defesa do patrimônio público é uma só e não termina nas portas de um banco: alcança o subsolo, a terra, os meios de pagamento e a soberania nacional. Quem entrega as riquezas do país não é moderado — é sócio do projeto que quer transformar o Brasil em quintal. Que as brasileiras e os brasileiros não se deixem enganar pelo rótulo: hoje são as terras raras de Goiás e o Pix; amanhã pode ser a Caixa e o Brasil. Em 2026, cada voto será uma escolha sobre soberania. E soberania não se negocia no balcão da Faria Lima.

    ]]>
    https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/07/31/enquanto-entregava-as-terras-raras-de-goias-aos-eua-ronaldo-caiado-se-vende-como-moderado-a-quem-serve-esse-rotulo/feed/ 0
    Dinheiro público, palanque privado: segundo reportagem, Caixa banca posts de atletas que fazem campanha por Flávio, Bolsonaro e Tarcísio https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/07/29/dinheiro-publico-palanque-privado-segundo-reportagem-caixa-banca-posts-de-atletas-que-fazem-campanha-por-flavio-bolsonaro-e-tarcisio/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/07/29/dinheiro-publico-palanque-privado-segundo-reportagem-caixa-banca-posts-de-atletas-que-fazem-campanha-por-flavio-bolsonaro-e-tarcisio/#respond Wed, 29 Jul 2026 03:47:02 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=4170 Segundo reportagem assinada ontem por Demétrio Vecchioli e publicada no Metrópoles, atletas contratados pela Confederação Brasileira de Atletismo, dentro do patrocínio da Caixa usaram suas redes sociais para promover o senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). As publicações partiram de nomes ligados ao Programa Ídolos do Atletismo Loterias Caixa, em que medalhistas olímpicos atuam como embaixadores e são remunerados para produzir seis posts mensais no Instagram, marcando os perfis da Caixa e das Loterias Caixa. Em uma das publicações, feita ao lado de Flávio, a legenda chamava o senador de “meu futuro presidente da República”.

    No centro da denúncia está uma inversão simples de entender: recurso de banco público, canalizado por meio de um contrato de patrocínio esportivo, sendo convertido em vitrine para candidaturas em ano eleitoral. A Caixa é patrocinadora máster da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) há mais de 25 anos — uma parceria construída com o dinheiro do povo brasileiro e com a bilheteria social das loterias, cuja finalidade é fomentar o esporte, e não abastecer o palanque de aliados da extrema direita. O contrato, como registra a reportagem, veda expressamente a manifestação político-partidária. A Constituição, no artigo 37, é ainda mais taxativa: a publicidade dos órgãos públicos não pode servir à promoção pessoal de autoridades. As duas regras foram atropeladas.

    O episódio não é um deslize isolado de um ou outro embaixador. Ele expõe um padrão: quando a gestão de uma empresa pública se omite, não agindo com diligência na fiscalização, diante do uso político de seus patrocínios, ela deixa de ser guardiã do interesse público e passa a ser conivente. A permissividade da direção, visto que algumas publicações ficaram por meses no ar, e o silêncio da entidade patrocinada (que só se manifestou quando a crise de reputação para o banco estava instalada) convertem uma relação esportiva em benefício eleitoral privado — e o fazem com o dinheiro de todos os brasileiros e brasileiras.

    A contradição que ninguém quer ver

    Há uma ironia que a matéria não aprofunda — mas que o Comitê não pode deixar passar. Os programas que sustentam a carreira desses atletas são, em sua grande maioria, conquistas de governos progressistas. Foi nos governos Lula e Dilma que foram criados o Bolsa Atleta e o Bolsa Pódio — instrumentos inéditos de financiamento direto ao esportista brasileiro, que permitiram que centenas de atletas de alto rendimento treinassem sem depender exclusivamente de patrocínio privado. Foi também nesses governos que as estatais brasileiras — Caixa, Petrobras, Correios, Banco do Brasil — ampliaram massivamente seus contratos de patrocínio esportivo, construindo o ecossistema que hoje sustenta o atletismo, a natação, o judô e dezenas de outras modalidades.

    No governo Bolsonaro, o caminho foi o oposto. Os patrocínios foram cortados. A Caixa reduziu suas apostas no esporte. O Ministério do Esporte foi extinto. O Bolsa Atleta sofreu contingenciamentos. O próprio atletismo, que hoje tem a Caixa como patrocinadora máster, sobreviveu à gestão Bolsonaro parcialmente — e voltou a respirar com a retomada dos investimentos públicos após 2023, com contrato longevo.

    Ou seja: os atletas que hoje usam o patrocínio da Caixa para postar ao lado de Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas são, em boa medida, beneficiários diretos de políticas públicas construídas pelos governos que os adversários deles querem desmontar. Eles treinaram com bolsas criadas pela esquerda, competiram com patrocínios ampliados por governos progressistas, e agora convertem esse mesmo patrocínio em palanque para quem cortou tudo isso. É uma contradição política de primeira grandeza — e o povo brasileiro precisa saber.

    O teste do espelho

    Vale o exercício inverso, que a grande imprensa raramente propõe. O que teria acontecido se um atleta patrocinado pela Caixa, na gestão de Pedro Guimarães- Bolsonaro, tivesse postado “meu futuro presidente da República” ao lado de um candidato da esquerda? A resposta todo mundo conhece: seria escândalo nacional, pedido de apuração de responsabilidade no mesmo dia e manchete em todos os portais. O que está em jogo aqui, portanto, não é o direito de opinião — que o Comitê defende para qualquer cidadão, de qualquer lado. O que está em jogo é o uso de verba pública para promoção eleitoral, algo vedado a todos, sem exceção, justamente para proteger a isonomia do processo democrático.

    Esse alerta ganha peso maior porque parte das figuras promovidas está associada, no debate público, a movimentos que apelam à interferência estrangeira contra o próprio país — do lobby externo às ameaças de tarifaço apresentadas como chantagem contra o Brasil. Quando o patrocínio de uma instituição brasileira ajuda a projetar quem flerta com ataques à soberania nacional, a contradição deixa de ser apenas jurídica e passa a ser política.

    A Caixa é patrimônio do povo brasileiro, e seu patrocínio ao esporte é conquista social, não moeda de campanha. Defender o caráter público do banco é também impedir que o dinheiro de todos vire propaganda de alguns. O Comitê seguirá vigilante e cobrará que a Caixa faça valer o contrato e a Constituição — porque, quando o público é capturado para servir ao privado, quem paga a conta é sempre o povo.

    ]]>
    https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/07/29/dinheiro-publico-palanque-privado-segundo-reportagem-caixa-banca-posts-de-atletas-que-fazem-campanha-por-flavio-bolsonaro-e-tarcisio/feed/ 0
    Em 2026, defender a Caixa pública é também defender o Brasil — e cada empregado sabe o que está em jogo https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/07/22/em-2026-defender-a-caixa-publica-e-tambem-defender-o-brasil-e-cada-empregado-sabe-o-que-esta-em-jogo/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/07/22/em-2026-defender-a-caixa-publica-e-tambem-defender-o-brasil-e-cada-empregado-sabe-o-que-esta-em-jogo/#respond Thu, 23 Jul 2026 00:36:47 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=4166 O Brasil vive um momento que vai além das eleições. A disputa de 2026 não se decide apenas nas urnas — ela já está sendo travada nos bastidores do sistema financeiro, nas salas de reunião de grandes corporações e nas pressões que chegam de dentro e de fora do país sobre os rumos dos bancos públicos brasileiros. Nesse cenário, a Caixa voltou ao centro da disputa — não como coadjuvante, mas como protagonista de um projeto nacional de desenvolvimento.

    E quem sustenta essa missão, no dia a dia, são os empregados e empregadas da Caixa. Não são apenas executores de rotinas administrativas. São formadores de opinião, lideranças locais, pessoas que conhecem a ponta, organizam equipes e ajudam a transformar política pública em entrega concreta para a população**.** O empregado da Caixa ainda é uma referência respeitada em milhares de cidades brasileiras — muitas vezes a única presença concreta do Estado, do crédito, da habitação, da inclusão financeira e da solução para a vida das pessoas.

    Esse respeito não nasceu do nada. Ele foi construído ao longo de gerações, por homens e mulheres que fizeram da Caixa uma instituição com mais de 160 anos de história, capilaridade nacional e compromisso social sem paralelo no sistema financeiro brasileiro. É um legado que pertence ao povo — e que não pode ser reduzido à lógica estreita do mercado financeiro.

    O Pix é um exemplo eloquente do que o Brasil é capaz quando investe em soluções próprias, de base pública. Uma inovação brasileira que democratizou pagamentos, reduziu custos, ampliou a inclusão financeira e colocou o Brasil na vanguarda mundial dos sistemas de pagamento instantâneo. O reconhecimento veio até de onde menos se esperava: Paul Krugman, vencedor do Nobel de Economia de 2008, publicou artigo no dia 20 de julho de 2026 elogiando o Pix e alertando que “Trump tentará punir o Brasil por esse sucesso” — uma resposta direta à ameaça de tarifas norte-americanas de 25% sobre produtos brasileiros. O economista Paulo Kliass, em entrevista à Rádio Brasil de Fato, explicou o porquê: “O Pix é brasileiro, ele é democrático, ele é universal e ele é gratuito. Por isso pisa no calo dos grandes conglomerados norte-americanos que mexem com cartão de crédito.” Quando um Nobel de Economia de perfil liberal reconhece o Pix como avanço civilizatório e alerta para a pressão dos EUA, fica evidente que o que está em jogo não é uma simples escolha técnica. É uma disputa sobre quem decide os rumos do desenvolvimento brasileiro — e sobre se o Brasil terá coragem de defender o que é seu.

    O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa tem acompanhado, com atenção, movimentações que apontam para tentativas de reocupação de espaços dentro da instituição por agentes ligados à direita. Não estamos falando de algo abstrato. No passado recente, a Caixa foi instrumentalizada para fins eleitoreiros, utilizada como balcão de negócios de grupos políticos e submetida a uma gestão que deixou marcas profundas: um rombo financeiro, um dano moral à imagem institucional e, sobretudo, uma ferida aberta na autoestima, na saúde mental e na dignidade dos empregados e empregadas que seguiram de pé, entregando serviços à população mesmo em meio ao caos. Esse capítulo não pode ser esquecido — e não pode se repetir.

    Os padrões que queremos ver distantes, no entanto, continuam rondando a Caixa. Há quem defenda a criação de subsidiárias para fatiar a instituição, quem tenha articulado a criação de um banco digital para ser vendido ao setor privado, quem proponha abrir o capital da Caixa como se fosse um negócio qualquer — e não o principal instrumento de inclusão financeira e política habitacional do Brasil. São projetos que, sob a aparência de “modernização” e “eficiência”, carregam um único objetivo real: transformar a Caixa em instrumento de grupos econômicos e políticos privados, esvaziando sua missão pública e entregando ao mercado o que pertence ao povo.

    É contra esse projeto — ontem, hoje e sempre — que o Comitê se levanta.

    Contra esse projeto, nossa posição é clara: a Caixa não é um banco qualquer. É patrimônio público, instrumento de desenvolvimento, habitação, crédito, inclusão bancária e políticas sociais. É a instituição que chega onde o mercado não chega — e que representa, para milhões de brasileiros e brasileiras, a presença concreta do Estado.

    O que defendemos vai além da Caixa como instituição financeira. Fortalecer a Caixa pública é fortalecer a soberania nacional. Assim como o Brasil precisa defender suas tecnologias financeiras e seus meios de pagamento, também precisa defender seus bancos públicos como instrumentos de desenvolvimento, redução de desigualdades e reconstrução social. E são os empregados e empregadas da Caixa — formadores de opinião, presentes nos territórios, conhecedores das necessidades reais do povo brasileiro — os guardiões cotidianos desse legado.

    O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa reafirma: a defesa da Caixa pública, de sua missão social e de quem a faz acontecer no dia a dia é também a defesa do Brasil. Em 2026, esse compromisso é inegociável.

    A Caixa é patrimônio do povo brasileiro. Defendê-la é defender o Brasil.

    ]]>
    https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/07/22/em-2026-defender-a-caixa-publica-e-tambem-defender-o-brasil-e-cada-empregado-sabe-o-que-esta-em-jogo/feed/ 0
    Daniella Marques quer papel novo na Caixa — mas antes precisa explicar os estragos que deixou no banco do povo https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/07/18/daniella-marques-quer-papel-novo-na-caixa-mas-antes-precisa-explicar-os-estragos-que-deixou-no-banco-do-povo/ https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/07/18/daniella-marques-quer-papel-novo-na-caixa-mas-antes-precisa-explicar-os-estragos-que-deixou-no-banco-do-povo/#respond Sat, 18 Jul 2026 20:10:41 +0000 https://bemnavidadaspessoas.com.br/?p=4159 O nome de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa durante o governo Jair Bolsonaro, circula como possível candidata a vice-presidente na chapa de Flávio. A movimentação é apresentada pelos aliados do clã como sinal de renovação e sensibilidade às pautas femininas. Mas quem acompanhou de perto a trajetória de Daniella Marques à frente do maior banco público do Brasil sabe que o legado que ela deixou não combina com o papel que agora lhe oferecem.

    Daniella Marques foi nomeada presidente da Caixa em julho de 2022, num momento politicamente delicado para o governo Bolsonaro: semanas antes, o então presidente Pedro Guimarães havia sido forçado a renunciar após denúncias de assédio moral e sexual feitas por dezenas de funcionárias da instituição. O escândalo — que em 2026 completa quatro anos — expôs o ambiente de violência e misoginia que havia se instalado na cúpula da Caixa sob a gestão bolsonarista.

    A chegada de Daniella Marques foi acompanhada do lançamento do programa “Caixa Pra Elas”, apresentado como um marco para o empreendedorismo feminino. O que o governo e a gestão da época não mostraram é que o programa nascia, antes de tudo, como uma estratégia de marketing para limpar a imagem daquela gestão deletéria que ocupava a Caixa — e do próprio governo — após o escândalo de assédio. Usar uma mulher para apagar a mácula do machismo que marcara a gestão anterior era, no mínimo, conveniente.

    O rombo do consignado do auxilio emergencial

    O legado mais concreto da gestão Guimarães-Daniella Marques na Caixa não está nos programas de marketing institucional. Está nos números que ficaram. A Lei 14.431/22, sancionada por Jair Bolsonaro em agosto de 2022 — a menos de dois meses do primeiro turno —, liberou R$ 7,6 bilhões em crédito consignado para beneficiários do CadÚnico, famílias de baixíssima renda que recebiam o Auxílio Brasil. O desconto das parcelas era feito diretamente no benefício social, comprometendo a renda de quem mal conseguia pagar as contas do mês. A inadimplência gerada por esse programa recaiu, em grande parte, sobre o FGTS — o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, que é, em última instância, o dinheiro do trabalhador brasileiro guardado ao longo de anos de labor. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo (agosto/2023), o FGTS levou um calote de R$ 2 bilhões em decorrência do programa. Uma ação eleitoreira que comprometeu tanto a renda de famílias vulneráveis quanto a saúde do principal fundo de proteção do trabalhador no Brasil.

    Esses dois programas — o consignado emergencial e o microcrédito eleitoreiro — só foram encerrados com a chegada da nova gestão indicada pelo governo Lula, que assumiu a presidência da Caixa em 2023. Foi a gestão Lula que teve de limpar o rastro deixado pela administração anterior e recolocar o banco no trilho de sua missão social.

    O segundo rombo tem contornos ainda mais graves. O programa SIM Digital, criado por Medida Provisória em março de 2022, liberou R$ 3 bilhões em microcrédito para cidadãos negativados — pessoas com nome sujo, sem capacidade de pagamento comprovada. Resultado: segundo o UOL (agosto/2023), a inadimplência atingiu 88%. A conta foi dividida de forma perversa: R$ 1,8 bilhão do FGTS foi utilizado para cobrir a inadimplência — ou seja, mais uma vez o dinheiro do trabalhador brasileiro pagou a fatura de uma operação eleitoreira. Além disso, a própria Caixa teve de redirecionar R$ 600 milhões para absorver o restante dos prejuízos de uma carteira criada sem critérios adequados de análise de risco e sem estrutura real de acompanhamento dos tomadores.

    A narrativa que precisa ser confrontada

    Daniella Marques tem concedido entrevistas apresentando-se como gestora comprometida com a inclusão financeira e o empreendedorismo feminino. O Comitê Popular de Luta em Defesa da Caixa entende que qualquer debate sobre o papel futuro dessa executiva no cenário político nacional precisa, antes, responder perguntas que continuam sem resposta:

    • Quem responde pelos bilhões em inadimplência gerados pelo programa de microcrédito, cujo custo recaiu sobre o FGTS e sobre o próprio balanço da Caixa?
    • Que avaliação é feita sobre os danos causados ao FGTS pelo consignado emergencial?
    • O “Caixa Pra Elas” produziu algum resultado concreto além da visibilidade midiática para um governo envolvido em escândalo de assédio?

    A especulação sobre Daniella Marques como candidata a vice de Flávio Bolsonaro revela, inicialmente, o grau de dificuldade que o bolsonarismo enfrenta para dialogar com as mulheres brasileiras. Não é com o nome de uma ex-gestora cujos programas endividaram famílias pobres e comprometeram o dinheiro dos trabalhadores que a direita vai conquistar o público feminino.

    O Comitê Popular de Lula em Defesa da Caixa reafirma: a Caixa é patrimônio do povo brasileiro e sua história não pode ser reescrita para servir a interesses eleitorais.

    ]]>
    https://bemnavidadaspessoas.com.br/2026/07/18/daniella-marques-quer-papel-novo-na-caixa-mas-antes-precisa-explicar-os-estragos-que-deixou-no-banco-do-povo/feed/ 0